Fobia social: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Cyro Masci
Psiquiatria - CRM 39126/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Fobia social?

Sinônimos: ansiedade social

A fobia social (CID 10 - F40.1) é caracterizada pelo pavor em estar com outras pessoas, evitando assim interações sociais ao máximo. Pacientes sofrem com a ideia de ir a uma festa ou a qualquer outro evento, fugindo de todo e qualquer tipo de contato. O distúrbio é conhecido também como Transtorno da Ansiedade Social.

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Quando o medo não é normal

Muitas pessoas podem apresentar timidez, em maior ou menor grau, principalmente em ambientes novos, desconhecidos e cheios de pessoas estranhas. Encontros sociais, falar em público e começar em novo emprego, por exemplo, são situações em que a timidez costuma falar mais alto naturalmente.

Apesar de ser normal sentir-se ansioso e inseguro em lugares e situações como essas, a tendência é que as pessoas vão se familiarizando com o local e, aos poucos, entrosando com outras pessoas e fazendo novas amizades. No caso, com pessoas com fobia social isso não acontece.

Causas

Como muitos outros problemas relacionados à saúde mental, a fobia social pode ser o resultado de uma complexa interação entre o meio ambiente e genes. As possíveis causas incluem:

Hereditariedade

Os transtornos de ansiedade, entre eles a fobia social, são comuns em pessoas de uma mesma família, mas ainda não está claro cientificamente se há mesmo uma relação direta entre a genética e esses distúrbios.

Estrutura cerebral

A amídala cerebelosa é uma importante estrutura do cérebro na formação e controle das emoções humanas, entre elas o medo. As pessoas que têm essa estrutura hiperativa podem apresentar maior sensação de ansiedade e insegurança em momentos de socialização.

Meio ambiente

Ao contrário de outras condições de saúde, acredita-se que a fobia social esteja mais relacionada a causas externas do que a causas genéticas. Por isso, é possível afirmar que o transtorno de ansiedade social pode ser um comportamento aprendido ao longo da vida.

Além disso, parece haver uma associação entre o distúrbio e a forma como o filho recebeu educação dos pais.

Fatores de risco

A fobia social é um dos transtornos mentais mais comuns que existem. Geralmente começa da adolescência, mas pode acontecer também em crianças e até mesmo na idade adulta.

Fobia social faz com que pessoas evitem qualquer tipo de interação social - Foto: Shutterstock
Fobia social faz com que pessoas evitem qualquer tipo de interação social - Foto: Shutterstock

Vários fatores podem aumentar o risco de uma pessoa vir a desenvolver esse distúrbio. Veja:

Histórico familiar

Uma pessoa é mais propensa a desenvolver fobia social se a família tiver algum histórico da doença.

Traumas e experiências negativas

Crianças que sofrem provocações, como bullying, rejeição, ridicularização ou humilhação tendem a ser mais propensas a distúrbios de ansiedade social.

Ainda, acontecimentos negativos e/ou traumáticos na vida da criança, como conflitos familiares ou abuso sexual, podem ser associados ao transtorno.

Temperamento

As crianças mais tímidas e contidas são mais propensas ao transtorno, principalmente se elas encontram dificuldade para enfrentar novas situações ou novas pessoas.

Demandas sociais ou de trabalho

Conhecer novas pessoas, fazer um discurso em público ou fazer uma importante apresentação de trabalho são alguns exemplos de situações capazes de desencadear sintomas de transtorno de ansiedade social. No entanto, estes sintomas geralmente têm suas raízes na adolescência.

Doenças visíveis

Desfiguração facial ou em outras partes do corpo, gagueira e outras doenças que costumam ser visíveis e notáveis pode aumentar os riscos de uma pessoa vir a desenvolver fobia social.

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Sintomas

Sintomas de Fobia social

Timidez ou sensação de desconforto em certas situações sociais não são necessariamente sinais de transtorno de ansiedade social, principalmente em crianças.

A forma como uma pessoa se comporta em determinada situação social depende e varia muito, de acordo com a personalidade e com as experiências de vida. Algumas pessoas são naturalmente reservadas e outras são mais extrovertidas.

Os sintomas da fobia social vão muito além desses sinais. Além do nervosismo diário, outros sinais do distúrbio incluem medo e ansiedade acentuados, que afetam diretamente na qualidade de vida da pessoa, comprometendo sua rotina diária, o desempenho no trabalho, na escola e em outras atividades.

Emoção e comportamento

Os principais sinais e sintomas de fobia social, no que diz respeito aos sentimentos e ao comportamento, incluem sensações mais acentuadas, como:

  • Medo de situações em ser julgado, interagir com pessoas desconhecidas, demonstrar ansiedade e apreensão
  • Medo de sintomas físicos que possam causar constrangimento, como rubor fácil, sudorese, tremores ou voz trêmula
  • Preocupação em passar por situações humilhantes ou ofender alguém
  • Evita-se a exposição e conversas em que pode ser o centro das atenções
  • Ansiedade ao esperar por algo, como um evento ou atividade

É comum, também, que as pessoas que sofrem deste transtorno passem algum tempo depois do fim de uma situação social analisando o seu próprio desempenho e procurando identificar falhas em suas interações ou em sua forma de agir e se comportar. Pessoas vítimas de fobia social também tendem a ser muito pessimistas, esperando sempre o pior – principalmente de situações sociais.

Em crianças, os sintomas acima descritos, mas principalmente a ansiedade, podem ser mostrados por choro, “birras” e pelo apego aos pais, às vezes recusando-se a se comunicar durante algum evento social.

Sintomas físicos

Alguns sinais e sintomas físicos podem, por vezes, acompanhar o transtorno de ansiedade social, como:

Experiências cotidianas

Além disso, pessoas que sofrem de fobia social tendem a evitar experiências comuns e que fazem parte do cotidiano, mas que, mesmo assim, podem ser difíceis de suportar. Veja exemplos:

  • Evitar banheiros públicos
  • Evitar interagir com estranhos
  • Evitar comer na frente dos outros
  • Evitar contato visual
  • Evitar iniciar conversas
  • Evitar namorar
  • Evitar festas ou reuniões sociais
  • Evitar ir ao trabalho ou à escola
  • Evitar entrar em uma sala em que as pessoas já estão sentadas

Os sintomas do transtorno de ansiedade social podem mudar ao longo do tempo. Eles podem se agravar caso haja forte carga emocional ou de estresse.

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Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Marque uma consulta médica ou com profissional de saúde mental se você ou alguém próximo a você apresentar medo excessivo para vivenciar situações sociais. Fique atento a sinais de constrangimento, preocupação ou pânico.

Se este tipo de ansiedade atrapalha sua vida ou se você notar que está interferindo na qualidade de vida de outra pessoa, provoca estresse e afeta as atividades diárias, procure ajuda médica o mais rápido possível.

Apesar de não ser considerada uma emergência médica, a fobia social – ou ainda qualquer doença que possa apresentar sintomas similares – necessita de tratamento.

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar fobia social são:

  • Clínico geral
  • Psiquiatra

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições e medicamentos ou suplementos que tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar caso esteja com medo ou inseguro para a consulta

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quais são seus sintomas?
  • Qual a intensidade de seus sintomas?
  • Eles são recorrentes?
  • Você sente medo ou ansiedade intensa em situações sociais? Por quê?
  • Você já foi diagnosticado com alguma outra condição de saúde? Qual?
  • Quais outros sintomas você apresenta além do medo, ansiedade e preocupação?
  • Há algum sintoma físico? Suor, tremores, gagueira?
  • Você já passou por algum trauma?
  • Sua família tem algum histórico de fobia social?

Diagnóstico de Fobia social

Uma avaliação prévia com um profissional de saúde mental vai indicar se os seus sintomas são causados por fobia social ou por alguma outra condição de saúde.

Transtorno de Ansiedade Social pode levar ao isolamento, depressão e pensamentos suicidas - Foto: Shutterstock
Transtorno de Ansiedade Social pode levar ao isolamento, depressão e pensamentos suicidas - Foto: Shutterstock

Exames

Na consulta, o médico começará o diagnóstico com um exame físico para verificar se alguma causa física está por trás dos sinais e sintomas manifestados pelo paciente.

Em seguida, ele poderá lhe fazer uma série de questionamentos sobre esses sinais, a fim de entender melhor a frequência e intensidade dos sintomas e saber em que tipo de situações eles costumam ser mais recorrentes.

Diagnóstico de Transtornos Mentais

O diagnóstico positivo para fobia social segue, muitas vezes, os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria. Esses critérios incluem:

  • Presença de medo persistente (por seis meses ou mais) em situações sociais, com constante percepção que está sendo examinado ou receio de que agirá de maneira constrangedora ou humilhante.
  • Evitar ao máximo situações sociais que causam ansiedade ou suportá-las com medo ou ansiedade intensos.
  • Ansiedade excessiva e desproporcional à situação que está sendo vivida.
  • Ansiedade ou sofrimento que interferem diretamente na rotina e na qualidade de vida.
  • Medo ou ansiedade que não pode ser explicada por nenhuma outra condição médica, por qualquer uso de medicação ou abuso de substâncias químicas.
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Tratamento e Cuidados

Tratamento de Fobia social

Os dois tipos mais comuns de tratamento para fobia social são por meio de medicamentos e psicoterapia. Essas duas abordagens podem ser utilizadas juntas, caso o médico psiquiatra acredite que uma combinação de ambas possa ser mais eficaz para o paciente.

Psicoterapia

Existem diversas formas de psicoterapia, sendo a mais estudada e com melhores resultados para a fobia social a Psicoterapia Cognitiva Comportamental. É um tipo de tratamento que costuma surtir muito efeito na qualidade de vida das pessoas com fobia social, diminuindo seus sintomas.

Na terapia cognitiva, o paciente aprende a reconhecer os pensamentos negativos que carrega consigo e, em seguida, mudá-los, desenvolvendo habilidades que o ajudem a ganhar confiança (principalmente em situações sociais ).

Medicamentos

Vários tipos de medicamentos são usados para tratar o transtorno de ansiedade social. No entanto, antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina (ISRS, na sigla em inglês) são, muitas vezes, o primeiro e principal tipo de medicação usado para tratar os sintomas da fobia social.

Inibidores de recaptação da serotonina e norepinefrina (IRSN) também podem ser uma opção para o transtorno.

Para reduzir o risco de efeitos colaterais, o médico poderá começar indicando uma dose baixa de medicação e ir aumentando gradualmente, conforme o risco de efeitos colaterais for diminuindo, até que o paciente esteja capacitado para receber uma dose completa.

O tratamento pode demorar de várias semanas até vários meses – pelo menos até que os sintomas melhorem sensivelmente.

O especialista poderá, ainda, prescrever outros tipos de medicamentos para tratar fobia social, como inibidores de ansiedade e betabloqueadores.

Medicamentos para Fobia social

Os medicamentos mais usados para o tratamento de fobia social são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

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Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

O tratamento médico e psicológico para fobia social é imprescindível para qualquer paciente, mas algumas medidas caseiras e individuais podem ajudar no processo de recuperação e a evitar o desencadeamento de sintomas também. Confira:

  • Aproximese de pessoas com quem você se sinta confortável
  • Entre para um grupo de apoio
  • Exercite-se regularmente. Manter-se fisicamente ativo é essencial para a melhoria da qualidade de vida
  • Durma horas suficientes para acordar no dia seguinte bem disposto
  • Adote uma dieta saudável e equilibrada
  • Evite o consumo de bebidas alcoólicas e o excesso de cafeína

Pequenos passos

Primeiro, considere os seus medos para identificar quais situações lhe causam mais ansiedade. Depois, gradualmente, comece a praticar essas atividades, como frequentar eventos sociais, por exemplo, até que elas lhe causem menos ansiedade.

Não desista do tratamento e aproxime-se aos poucos de pessoas com quem se sinta confortável - Foto: Shutterstock
Não desista do tratamento e aproxime-se aos poucos de pessoas com quem se sinta confortável - Foto: Shutterstock

Prepare-se para encontros sociais

Entenda que é realmente difícil se socializar quando se está ansioso. No entanto, por mais difícil ou doloroso que possa parecer inicialmente, procure não evitar situações que possam desencadear os sintomas.

Ao enfrentar regularmente essas situações, você poderá construir e reforçar suas habilidades de socialização.

Mantenha o foco

Não desista se o tratamento não apresentar resultados rapidamente. Os progressos resultantes da psicoterapia podem demorar a ser notados, mas as melhorias costumam surgir após algumas semanas ou meses.

Além disso, encontrar o medicamento certo para seu caso pode exigir algumas tentativas e erros também. Mantenha o foco e não desanime.

Para aproveitar ao máximo o tratamento, mantenha suas consultas médicas em dia, tome os medicamentos conforme indicado pelo médico e converse com um especialista sobre qualquer tipo de alteração que houver em seu estado de saúde mental ou física.

Complicações possíveis

Se não for tratada, a fobia social pode comprometer seriamente a vida do paciente. Os sinais e sintomas típicos da doença podem interferir no trabalho, na escola, faculdade, ou nos relacionados e até na alegria e disposição de viver.

O transtorno de ansiedade social pode causar complicações graves, como:

  • Baixa autoestima
  • Dificuldades em ser assertivo
  • Recorrência de pensamentos negativos
  • Hipersensibilidade à crítica
  • Ausência de habilidades sociais ou habilidades sociais mal desenvolvidas
  • Isolamento social e dificuldade em manter qualquer tipo de relação social
  • Baixo desempenho escolar e no trabalho
  • Abuso de substâncias, como alcoolismo e dependência física e psíquica de drogas
  • Tentativas de suicídio

A fobia social não tratada pode levar ao surgimento de outros transtornos de ansiedade e de saúde mental em geral.

Fobia social tem cura?

Para algumas pessoas, os sintomas do transtorno de ansiedade social costumam desaparecer ao longo do tempo. Nestes casos, a medicação é interrompida pelo médico.

Outras pessoas, no entanto, podem precisar tomar os medicamentos por anos para evitar uma recaída.

O tratamento para fobia social costuma surtir efeito e gerar bons resultados. Tanto a psicoterapia cognitiva quanto o uso da medicação indicada por especialistas já se mostraram capazes de melhorar significativamente a vida dos pacientes e levá-los até mesmo a cura.

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Prevenção

Prevenção

Não existem formas de prevenção conhecidas para a fobia social. Ou seja, não há como adivinhar se a pessoa virá a desenvolver este problema ao longo dos anos.

No entanto, é perfeitamente possível adotar algumas medidas para reduzir os impactos dos sintomas. Portanto, se você está se sentindo ansioso ou receoso em relação a uma situação social, procure adotar as seguintes dicas:

  • Obtenha ajuda precocemente: ansiedade, como muitos outros problemas de saúde mental, pode ser mais difícil de tratar caso a pessoa demore muito tempo para procurar ajuda médica e/ou psicológica.
  • Mantenha um diário: ter o controle de sua vida pessoal pode ajudar você e seu psicólogo ou psiquiatra a identificar o que possa estar causando o estresse e o que pode ser feito para fazê-lo se sentir melhor.
  • Estabeleça suas prioridades: você pode reduzir a ansiedade e o medo aprendendo a gerir melhor seu tempo e identificando para onde você direcionando mais suas energias.
  • Evite o uso de determinadas substâncias: o consumo de bebidas alcoólicas e o abuso de drogas e até mesmo de cafeína ou nicotina, proveniente do cigarro, podem causar ou agravar sintomas de ansiedade. Além disso, se você se tornar dependente de qualquer uma destas substâncias, parar de fumar, por exemplo, pode deixá-lo ansioso. Se você não conseguir parar por conta própria, consulte um médico para encontrar a melhor maneira de se livrar definitivamente do vício.
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Fontes e referências

  • Cyro Masci, psiquiatra e Diretor da Clínica Masci, em São Paulo (CRM/SP 39126)
  • Instituto Nacional Americano de Saúde Mental - maior organização de pesquisa do mundo especializada em saúde mental
  • Manual Merck - livros de referência médica produzidos pela empresa farmacêutica Merck & Co., que cobrem uma ampla gama de temas médicos, incluindo doenças, testes, diagnósticos e medicamentos