Glaucoma: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Alfredo Tranjan Neto
Oftalmologia - CRM 32972/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Glaucoma?

O glaucoma é uma doença ocular caracterizada por alteração do nervo óptico que leva a um dano irreversível das fibras nervosas e, consequentemente, perda de campo visual. Essa lesão pode ser causada por um aumento da pressão ocular ou uma alteração do fluxo sanguíneo na cabeça do nervo óptico.

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O glaucoma é considerado como a principal causa de cegueira irreversível no mundo, e isso ocorre por ser um quadro que não apresenta sintomas em grande parte dos casos. A doença pode estar presente e a pessoa não percebe causando uma piora do quadro e progressivamente uma lesão irreversível do nervo que, por sua vez, afeta o campo de visão.

Segundo alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados 2,4 milhões de novos casos de glaucoma anualmente, o que totaliza 60 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, a doença atinge 2% dos brasileiros acima dos 40 anos, resultando em cerca de um milhão de pessoas. (1,2)

Tipos

O glaucoma pode ser dividido em quatro tipos: (1,3,4)

Glaucoma de ângulo fechado (agudo)

O glaucoma de ângulo fechado (agudo) ocorre quando a saída do humor aquoso é subitamente bloqueada. Isso origina um aumento rápido, doloroso e grave na pressão intraocular. Casos de glaucoma agudo são emergenciais, bem diferentes do que ocorre com o tipo crônico da doença, em que a pressão ocular desenvolve-se lenta e silenciosamente e, aos poucos, vai danificando a visão.

Glaucoma de ângulo aberto (crônico)

O glaucoma de ângulo aberto (crônico) é o tipo mais comum de glaucoma e tende a ser hereditário, mas sua causa é desconhecida. Nele, um aumento na pressão ocular desenvolve-se lentamente com o passar do tempo, e a pressão elevada causa um dano permanente no nervo óptico, causando perda do campo visual.

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Glaucoma congênito

O glaucoma congênito é, como o próprio nome diz, o tipo em que a criança já nasce com a doença, herdada da mãe durante a gravidez. Este tipo de glaucoma, no entanto, é considerado raro e se descoberto, deve-se tratar imediatamente.

Glaucoma secundário

Por último, o glaucoma secundário costuma ser causado principalmente pelo uso de medicamentos, como corticosteróides, pelos traumas e por outras doenças oculares e sistêmicas.

Causas

Por razões que a medicina ainda não compreende totalmente, o aumento da pressão dentro do olho (pressão intraocular) é geralmente, mas nem sempre, associada à lesão do nervo óptico, que caracteriza o glaucoma. Esta pressão acontece devido ao aumento de um líquido chamado de humor aquoso, que é produzido na parte anterior do olho ou por uma deficiência de sua drenagem através de seu canal.

Quando há um bloqueio desse fluido do olho, este provoca o aumento da pressão ocular. Na maioria dos casos de glaucoma, essa pressão está elevada e provoca danos no nervo óptico.

A doença também pode acometer crianças, embora elas não manifestem nenhum tipo de sintoma. Crianças podem vir a apresentar glaucoma congênito de evolução tardia que acontece nos primeiros anos de vida ou glaucoma juvenil que surge geralmente aos quatro ou cinco anos de idade. Mesmo não havendo sintomas, as crianças podem sofrer danos no nervo óptico também.

Fatores de risco

Os médicos alertam para alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de glaucoma que pode levar a cegueira, se não tratados. Confira:

  • Pressão intraocular elevada
  • Idade acima dos 60 anos ou acima dos 40 anos, para o caso de glaucoma agudo
  • Afro americanos são mais propensos a desenvolver glaucoma do que pessoas caucasianas, principalmente os acima dos 40 anos de idade
  • Histórico familiar de glaucoma pode elevar as chances de um indivíduo desenvolver a doença também
  • Doenças no olho, como alguns tumores, descolamento de retina e inflamações, aumentam o risco de glaucoma
  • Fazer uso por muito tempo de medicamentos à base de corticosteroides.

Além disso, entre os principais fatores de risco estão diabetes, problemas cardíacos, hipertensão e hipertireoidismo também podem levar à doença. Um estudo realizado pela Universidade de Michigan e publicado na revista americana Ophthalmology, faz um alerta quanto a relação de hipertensão e diabetes a um maior risco de glaucoma.

De acordo com os pesquisadores, o diagnóstico de diabetes tipo 2 aumenta o risco de glaucoma em 35%. E quando há hipertensão arterial a chance é maior em 17%. Mas, quando ambas condições estão presentes, a probabilidade de desenvolver glaucoma é de 48%. Vale lembrar que a relação das doenças com o glaucoma ainda está sendo estudada.

Saiba mais: Conheça os hábitos que podem agravar o glaucoma

Perguntas frequentes

Quem tem glaucoma pode usar lentes de contato?

Sim, que tem glaucoma pode fazer o uso de lentes de contato. Isso porque o glaucoma é uma doença que na maior parte das vezes é tratada com um ou mais colírios. O que deve ser evitado é a utilização dos colírios com a lente de contato nos olhos.

Quem tem glaucoma precisa usar óculos?

O glaucoma é o aumento da pressão dos olhos que leva a dano do nervo óptico e perda da visão. A necessidade dos óculos é para a correção do grau de curvatura da córnea, portanto são coisas independentes.

Glaucoma pode cegar?

O glaucoma é também uma das maiores causas de cegueira irreversível (junto com a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada com a idade - DMRI), pois os sintomas são silenciosos e a pessoa só percebe algo de errado quando já está com a perda grave irreversível da visão. O melhor forma de lidar com esta doença é a prevenção, portanto, é de extrema importância realizar acompanhamento com seu oftalmologista pelo menos uma vez por ano.

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Sintomas

Sintomas de Glaucoma

Os sintomas de glaucoma costumam variar de acordo com o tipo da doença. Confira:

Glaucoma de ângulo aberto

  • Muitas pessoas NÃO apresentam sintomas até o início da perda da visão
  • Perda gradual da visão periférica lateral, também denominada visão tubular.

Glaucoma de ângulo fechado

  • Os sintomas podem ser intermitentes no início ou piorarem prontamente
  • Dor grave e súbita em um olho
  • Visão diminuída ou embaçada
  • Náusea e vômito
  • Olhos vermelhos
  • Olhos de aparência inchada.

Glaucoma congênito

  • Os sintomas costumam ser notados quando a criança tem alguns meses de vida
  • Nebulosidade na parte frontal do olho
  • Aumento de um olho ou de ambos os olhos
  • Olho vermelho
  • Sensibilidade à luz
  • Lacrimação.

Buscando ajuda médica

Se houver suspeita de glaucoma, não espere por sinais visíveis de problemas nos olhos. Glaucoma de ângulo aberto dá poucos sinais em seu estágio inicial e, quando a pessoa finalmente resolver procurar um médico, a doença já poderá ter causado danos permanentes ao olho. Exames oftalmológicos regulares são a principal forma para a detecção de glaucoma. O diagnóstico precoce pode evitar a progressão da doença e complicações mais graves.

Se você notar qualquer sintoma de glaucoma, procure ajuda médica imediatamente.

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Diagnóstico e Exames

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar o glaucoma são: (5)

  • Oftalmologista
  • Clínico geral.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Você já teve algum desconforto ocular ou problemas de visão?
  • Você tem outros sinais ou sintomas que lhe dizem respeito?
  • Você tem algum histórico familiar de glaucoma ou outros problemas oculares?
  • Que exames de triagem ocular você teve e quando?
  • Você já foi diagnosticado com alguma outra condição médica?
  • Você está usando colírios?
  • Você está usando vitaminas ou suplementos?

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para glaucoma, algumas perguntas básicas incluem:

  • Eu tenho sinais de glaucoma?
  • Quais testes eu preciso fazer para confirmar o diagnóstico?
  • Qual o tratamento indicado?
  • Preciso seguir alguma restrição nas minhas atividade?
  • Com que frequência preciso retornar ao médico?
  • Tenho outras condições de saúde, como posso administrá-los melhor juntos?

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Glaucoma

Um exame ocular pode ser usado para identificar o glaucoma. O médico precisará examinar o interior do olho, observando através da pupila, que geralmente é dilatada. O especialista geralmente realiza um exame completo do olho para confirmar o diagnóstico.

Somente a averiguação da pressão intraocular (por meio da tonometria) não é suficiente para diagnosticar o glaucoma, pois a pressão ocular costuma mudar. Por isso, outros exames deverão ser feitos para que o médico possa diagnosticar o paciente com glaucoma ou não.

Exames

Os principais exames realizados para diagnosticar o glaucoma são:

  • Acuidade visual
  • Avaliação do nervo óptico
  • Campimetria
  • Exame com lâmpada de fenda
  • Gonioscopia (uso de lentes especiais para verificar os canais de circulação do ângulo)
  • Imagens do nervo óptico
  • Resposta do reflexo da pupila
  • Tonometria para medir a pressão ocular.
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Tratamento e Cuidados

Tratamento de Glaucoma

O objetivo do tratamento é reduzir a pressão ocular. Dependendo do tipo de glaucoma, isso pode ser feito por meio de medicamentos ou até mesmo cirurgia.

Glaucoma de ângulo aberto

A maioria das pessoas com o glaucoma de ângulo aberto pode ser submetida a um tratamento bem-sucedido com colírios. A maioria dos colírios usados atualmente possui poucos efeitos colaterais em comparação aos do passado. Alguns casos pode exigir o uso de mais de um tipo de colírio e alguns pacientes podem ser tratados, ainda, com pílulas que agem para baixar a pressão ocular. Novas pílulas e colírios vêm sendo desenvolvidos para proteger o nervo óptico dos danos do glaucoma.

Alguns pacientes podem precisar de outras formas de tratamento, como o tratamento a laser, para auxiliar na desobstrução da circulação do humor aquoso. Esse procedimento é geralmente indolor. Outros pacientes podem precisar de cirurgia tradicional para abrir um novo canal para o fluxo normal de humor aquoso.

Glaucoma de ângulo fechado

Glaucoma de ângulo fechado é uma emergência médica, podendo levar inclusive à cegueira após alguns dias sem tratamento. Colírios, pílulas e medicamento intravenoso são utilizados para baixar a pressão nesses casos. Alguns pacientes ainda precisam ser submetidos a uma operação de emergência, chamada de iridotomia. Este procedimento usa um laser para abrir um novo canal na íris, que alivia a pressão e previne uma nova crise.

Glaucoma congênito

Essa forma de glaucoma é sempre tratada com cirurgia para desobstruir as câmaras do ângulo. Isso é feito com o paciente completamente anestesiado.

Glaucoma secundário

O tratamento consiste em uso de colírios que diminuem a pressão intraocular e em grande parte dos casos contém a progressão da doença, mas não reverte o dano estabelecido. Alguns casos tratamos com laser ou nos casos mais avançados a cirurgia é indicada.

Saiba mais: Glaucoma: doença silenciosa pode ser tratada com colírios ou cirurgia

Cirurgias para Glaucoma

Atualmente, existem três tipos de cirurgia indicados para glaucoma: (5)

Trabeculoplastia a laser

Na trabeculoplastia a laser é utilizada uma combinação de frequências de laser que permite o tratamento com pouca energia. Este procedimento trata células específicas danificadas, deixando outras porções intactas. Este método pode ser repetido para alcançar o resultado.

Iridectomia a laser

A outra cirurgia que pode ser prescrita é a iridectomia a laser, destinada ao tratamento e prevenção de ângulo fechado. Uma pequena abertura periférica é criada na íris para que a camada aquosa passe livremente da câmara posterior para a câmara anterior do olho, desta forma irá romper o bloqueio pupilar.

Trabeculectomia

Por último, a trabeculectomia tradicional é indicada para controlar o glaucoma em casos em que o tratamento clínico não surte efeito e quando os exames complementares como o de Campimetria, mapeamento de retina e gonioscopia mostram que o quadro clínico continua piorando. O procedimento consiste em fazer uma fístula de drenagem de líquido do humor aquoso da câmara anterior do olho.

Medicamentos para Glaucoma

Os medicamentos mais usados para o tratamento de glaucoma são:

Os medicamentos contraindicados para glaucoma são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

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Convivendo (prognóstico)

Glaucoma tem cura?

A expectativa de tratamento e recuperação para glaucoma varia de acordo com o tipo da doença e das medidas tomadas por paciente e médico durante todo o período de tratamento.

Com bons cuidados, a maioria dos pacientes do glaucoma de ângulo aberto pode controlar a doença e não perder a visão, mas a doença não pode ser curada. É importante ter sempre acompanhamento médico nesses casos.

Diagnóstico e tratamento imediatos à crise são essenciais para salvar a visão. Busque o atendimento de emergência caso haja sintomas de ataque de glaucoma do ângulo fechado.

Diagnóstico e tratamento precoces são essenciais. Se a cirurgia for realizada cedo, muitos pacientes não sofrerão problemas futuros.

Complicações possíveis

Se não for tratado, o glaucoma pode causar perda de visão progressiva irreversível. A doença vai causar primeiramente alguns pontos cegos na visão periférica, avançando em seguida para a visão de túnel e, por último, levando a pessoa à cegueira total.

Convivendo/ Prognóstico

Se você tiver sido diagnosticado com glaucoma, siga estas dicas, mude seu estilo de vida e acelere a recuperação. Veja:

Siga uma dieta saudável

Isso pode ajudar a manter a sua saúde, mas não vai impedir o agravamento dos sintomas do glaucoma se não houver o tratamento necessário. Várias vitaminas e nutrientes podem ajudar a melhorar sua visão.

Exercite-se com segurança

O exercício regular pode reduzir a pressão ocular em casos de glaucoma de ângulo aberto. Converse com seu médico e com seu personal trainer sobre um programa de exercícios adequado.

Limite a ingestão de cafeína

Beber grandes quantidades de cafeína pode aumentar a sua pressão ocular.

Hidrate-se

Beba líquidos com frequência, mas sem exageros. Grandes quantidades de líquidos ingeridos pode aumentar temporariamente a pressão intraocular.

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Prevenção

Prevenção

Não há como prevenir um glaucoma de ângulo aberto, mas pode-se evitar a perda da visão. Diagnóstico precoce e cuidados meticulosos com a doença são chaves para a prevenção da cegueira.

É muito importante fazer consultas frequentes ao oftalmologista e realizar sempre alguns exames de prevenção para evitar os sustos causados pelo glaucoma.

Além disso, existem alternativas de autocuidado que podem ajudá-lo a detectar a doença precocemente, limitar a perda de visão ou retardar seu progresso.

  • Receba cuidados oculares regularmente: Realizar exames oftalmológicos completos e regulares podem ajudar a detectar o glaucoma em seus estágios iniciais, antes que ocorram danos irreversíveis. Como regra geral, faça exames oftalmológicos abrangentes a cada quatro anos, a partir dos 40 anos e a cada dois anos, a partir dos 65 anos. Você pode precisar de exames mais frequentes se estiver sob alto risco de glaucoma. Pergunte ao seu médico para recomendar o cronograma de triagem correto para você
  • Conheça o histórico de saúde ocular da sua família: O glaucoma tende a funcionar em famílias. Se você está em risco aumentado, você pode precisar de triagem mais frequente
  • Exercite-se com segurança: Exercícios moderados e regulares podem ajudar a prevenir o glaucoma, reduzindo a pressão ocular. Converse com seu médico sobre um programa de exercícios apropriado
  • Use os colírios prescritos regularmente: Os colírios de glaucoma podem reduzir significativamente o risco de que a pressão ocular alta progrida para glaucoma. Para ser eficaz, os colírios receitados pelo seu médico precisam ser usados ??regularmente, mesmo que você não tenha sintomas
  • Use proteção para os olhos: Lesões oculares graves podem levar ao glaucoma. Use proteção para os olhos ao usar ferramentas elétricas ou pratique esportes de raquete de alta velocidade em quadras fechadas.
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Fontes e referências