Hanseníase: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Jorge Mello Sampaio
Clínica Médica - CRM 103822/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Hanseníase?

Sinônimos: lepra, bacilo de hansen

A hanseníase, conhecida também como lepra, é uma doença infecto-contagiosa caracterizada por manchas na pele, sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades. É causada por uma bactéria denominada Mycobacterium leprae, que costuma evoluir lentamente e pode levar até 20 anos para surgirem sinais da infecção.

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A doença atinge pele e nervos periféricos podendo levar a sérias incapacidades físicas. O alto potencial incapacitante da hanseníase está diretamente relacionado ao poder da imunidade do M. leprae.

Não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada.

Atualmente, em todo o mundo, o tratamento é oferecido gratuitamente, visando que a lepra deixe de ser um problema de saúde pública. Os países com maior detecção de casos são os menos desenvolvidos ou com superpopulação.

Em 2016, o Ministério da Saúde registrou no Brasil mais de 28.000 casos novos da doença e o tratamento é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Sinônimos

A hanseníase também é chamada de:

  • Lepra (nome usado para a doença no passado)
  • Bacilo de Hansen (denominação em memória ao descobridor da enfermidade)

Tipos

Podemos classificar a doença em hanseníase paucibacilar (com poucos ou nenhum bacilo nos exames) ou multibacilar (com muitos bacilos). A forma multibacilar não tratada possui alto potencial de transmissão.

A hanseníase pode se apresentar como manchas mais claras, vermelhas ou mais escuras, que são pouco visíveis e com limites imprecisos, com alteração da sensibilidade no local associado à perda de pelos e ausência de transpiração.

Quando o nervo de uma área é afetado, surgem dormência, perda de tônus muscular e retrações dos dedos, com desenvolvimento de incapacidades físicas.

Nas fases agudas, podem aparecer caroços (nódulos) e/ou inchaços (edema) nas partes mais frias do corpo, como orelhas, mãos, cotovelos e pés.

Classificação da hanseníase

Hanseníase paucibacilar

Hanseníase indeterminada - Foto: Shutterstock
Hanseníase indeterminada - Foto: Shutterstock
  • Hanseníase indeterminada: estágio inicial da doença, com um número de até cinco manchas de contornos maldefinidos e sem comprometimento neural
  • Hanseníase tuberculoide: manchas ou placas de até cinco lesões, bem definidas, com um nervo comprometido e podendo ocorrer neurite (inflamação do nervo)

Hanseníase multibacilar

  • Hanseníase borderline ou dimorfa: manchas e placas, acima de cinco lesões, com bordos às vezes bem ou pouco definidos, com comprometimento de dois ou mais nervos e ocorrência de quadros reacionais com maior frequência
  • Hanseníase virchowiana: forma mais disseminada da doença, em que há dificuldade para separar a pele normal da danificada, podendo comprometer nariz, rins e órgãos reprodutivos masculinos e haver a ocorrência de neurite e eritema nodoso (nódulos dolorosos) na pele

Causas

A hanseníase é uma doença contagiosa que em 1941 teve sua primeira classificação. O homem é o principal reservatório natural do bacilo, mas também pode ser encontrado em esquilos, macacos e principalmente tatus.

Transmissão da hanseníase

A transmissão do M. leprae ainda não está completamente esclarecida. A transmissão se dá provavelmente por via respiratória, por meio de convivência muito próxima e prolongada com indivíduos que apresentem a forma multibacilar.

A transmissão ocorre mais provavelmente por contato com secreção nasal de nariz de indivíduos doentes que apresentem a forma lepromatosa (multibacilar), que não esteja sob tratamento, pois nesses indivíduos há uma grande quantidade de bacilos na secreção nasal.

Tocar a pele do paciente não representa risco significativo de transmissão da hanseníase.

Cerca de 90% da população têm defesa contra a doença. O período de incubação (tempo entre a aquisição da doença e da manifestação dos sinais e sintomas) varia de seis meses a cinco anos. A maneira como ela se manifesta varia de acordo com a genética de cada pessoa.

Fatores de risco

A hanseníase pode atingir pessoas de todas as idades, contudo a incidência é maior em homens.

Como a doença demora para se manifestar é comum que só nos adultos os sinais e sintomas sejam observados, mas normalmente a hanseníase é adquirida ainda na infância.

Os principais fatores de risco da hanseníase são:

  • Hábitos de higiene precários (particularmente quanto à lavagem das mãos)
  • Contato com indivíduos sem tratamento e que apresentem a forma multibacilar da doença
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Sintomas

Sintomas de Hanseníase

Os sintomas da hanseníase incluem:

  • Sensação de formigamento
  • Fisgadas ou dormência nas extremidades
  • Manchas brancas ou avermelhadas na pele
  • Perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato
  • Áreas da pele aparentemente normais que têm alteração da sensibilidade e da secreção de suor
  • Nódulos e placas em qualquer local do corpo

Se não for tratada, os sinais da hanseníase avançada podem incluir:

  • Diminuição da força muscular (dificuldade para segurar objetos)
  • Paralisia das mãos e pés
  • Encurtamento dos dedos devido à lesão dos nervos que controlam os músculos
  • Úlceras crônicas na sola dos pés
  • Cegueira
  • Perda de sobrancelhas
  • Edema do nariz e orelhas (inchaço)

Buscando ajuda médica

Fique atento aos sintomas. Os principais da lepra são: sensação de formigamento, dormência nas extremidades, manchas brancas e perda de sensibilidade da pele na área das manchas.

Se eles persistirem, procure um especialista e explique a ele o que está sentindo. Aproveite e tire todas as suas dúvidas.

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Diagnóstico e Exames

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar a hanseníase são:

  • Dermatologista
  • Infectologista
  • Clínico geral

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram.
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Que sintomas você notou e quando apareceram pela primeira vez?
  • Alguém mais que você conhece teve sintomas comuns à hanseníase?
  • Você tomou a vacina BCG?
  • Você possui alguma doença crônica?

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar.

Para hanseníase, algumas perguntas básicas incluem:

  • Qual é a causa mais provável desses sintomas?
  • Existem outras causas possíveis?
  • Qual o tratamento que você recomenda?
  • Quanto tempo antes dos sintomas melhorarem?
  • A hanseníase tem cura?

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Hanseníase

O diagnóstico de caso de hanseníase é inicialmente clínico e epidemiológico.

Ou seja, realizado por meio de exames dermatológicos e neurológicos para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.

Exames

Os principais exames para confirmação da hanseníase são:

  • Exame baciloscópico de esfregaço cutâneo biópsia cutânea
  • Pesquisa do DNA da bactéria em fragmentos de tecido (PCR)
  • Pesquisa de anticorpos anti-PGL-1 no sangue (exame só disponível em laboratórios de pesquisa)
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Tratamento e Cuidados

Tratamento de Hanseníase

O tratamento é gratuito e fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Varia de seis meses nas formas paucibacilares a um ano nos multibacilares, podendo ser prorrogado ou feita a substituição da medicação em casos especiais.

Após a primeira dose da medicação não há mais risco de transmissão durante o tratamento e o paciente pode conviver em meio à sociedade.

O tratamento da hanseníase é administrado por via oral, consiste na associação de dois ou três medicamentos e é denominado poliquimioterapia.

Medicamentos para hanseníase

Os medicamentos usualmente utilizados no tratamento são a rifampicina, dapsona e clofazimina.

E embora o tratamento possa curar a doença e evitar a sua progressão (piora), não reverte os danos nos nervos ou a desfiguração física que podem ter ocorrido antes do diagnóstico.

Assim, é muito importante que a doença seja diagnosticada o mais cedo possível, antes que ocorra qualquer lesão permanente do sistema nervoso.

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Convivendo (prognóstico)

Hanseníase tem cura?

A hanseníase tem cura. A cura é mais fácil e rápida quanto mais precoce for o diagnóstico.

Convivendo/ Prognóstico

Muitas pessoas são expostas à hanseníase em todo o mundo, mas a doença não é altamente contagiosa - e é bastante rara.

Portanto, após o início do tratamento o paciente não precisa mais estar em isolamento, pois os riscos de transmissão são reduzidos.

Contudo, é essencial que ao entrar em contato com alguém com hanseníase ou em uma região de risco, as pessoas façam exames para ver se a doença foi adquirida e evitar suas complicações.

Mais sobre Hanseníase

História da hanseníase

A hanseníase parece ser uma das mais antigas doenças que acomete o homem. As referências mais remotas datam de 600 a.C. e procedem da Ásia, que, juntamente com a África, são consideradas o berço da doença.

A melhoria das condições de vida e o avanço do conhecimento científico modificaram o quadro da hanseníase, que há mais de 20 anos tem tratamento e cura.

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Prevenção

Prevenção

A prevenção da hanseníase baseia-se em em medidas básicas de higiene (lavagem de mãos) e aplicação da vacina BCG em todas as pessoas que compartilham o mesmo domicílio com o portador da doença.

O que é a vacina BCG?

A vacina é composta pelo bacilo de Calmette & Guérin, obtido pela atenuação do Mycobacterium bovis, umas das bactérias que causam a tuberculose. No Brasil, a vacina faz parte do calendário obrigatório.

O Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde no Brasil recomenda atualmente a vacinação universal das crianças contra tuberculose.

É importante que seja dada logo ao recém-nascido. Se isso não for possível, deve ser ministrada após o primeiro mês de vida.

Ela pode ser tomada por crianças com sorologia positiva de HIV que não apresentam sintomas, ou filhos de mulheres soropositivas assintomáticas.

Tuberculose e hanseníase

Embora sejam doenças distintas, a tuberculose e a hanseníase são causadas por bactérias do gênero mycobacterium. No caso da tuberculose, o Mycobcterium tuberculosis, e na hanseníase, o Mycobacterium leprae.Portanto, a vacina BCG, usada para prevenir a tuberculose, pode oferecer proteção contra a lepra.

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Fontes e referências

  • Ministério da Saúde
  • Sociedade Brasileira de Dermatologia
  • Mayo Clinic
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC)
  • National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIH)
  • Ana Célia Xavier, dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo
  • Jorge Sampaio, médico assessor para Microbiologia do Fleury Medicina e Saúde