Tendinite: sintomas, tratamentos e causas

Visão Geral

O que é Tendinite?

Sinônimos: tendinite no ombro, tendinite no quadril, tendinite no pulso

Tendinite é uma inflamação ou lesão do tendão, que é uma fibra responsável por unir o músculo ao osso, como uma corda. É caracterizada por dor e inchaço do tendão, podendo afetar qualquer parte do corpo - porém, são mais frequentes as tendinites no ombro, pulso, joelho e tornozelo.

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Os tendões ajudam a controlar e transmitir a força dos músculos, o que torna capaz a movimentação dos nossos ossos. Dessa forma, a tendinite pode dificultar e até mesmo impossibilitar a movimentação do paciente.

Tipos

Os tipos de tendinite mais comuns são:

Tendinite no ombro (Tendinite do Manguito Rotador)

A tendinite no ombro (CID 10 - M75.1) é a inflamação do tendão do ombro, que causa dores intensas, sensibilidade ao toque e dificuldade nos movimentos por conta da articulação rígida.

Tendinite no ombro (Tendinite do Manguito Rotador) - Foto: Shutterstock
Tendinite no ombro (Tendinite do Manguito Rotador) - Foto: Shutterstock

Costuma ser mais comum em pessoas que praticam esportes como musculação, tênis, natação, vôlei, handebol, basquete e crossfit. Não à toa a tendinite do manguito rotador é chamada também de "ombro de tenista".

Em alguns casos, requer imobilização com tipoia para total recuperação e fisioterapia.

Tendinite no joelho (Tendinite Patelar)

A tendinite patelar (CID 10 - M76.5) é a inflamação da patela, uma das estruturas que formam o joelho. Também denominada "tendinite no joelho", ela costuma acometer indivíduos que forçam o joelho com saltos e corridas constantes, como ao jogar futebol, vôlei, basquete, crossfit e corrida.

Tendinite no joelho (Tendinite Patelar) - Foto: Shutterstock
Tendinite no joelho (Tendinite Patelar) - Foto: Shutterstock

Porém, a tendinite patelar costuma ser ainda mais comum em pessoas com sobrepeso e obesidade e/ou sedentárias, devido à sobrecarga do peso nos joelhos - que geralmente não estão fortes o bastante para aguentar tal carga. Em casos graves, é necessária cirurgia.

Quem tem pé chato (plano) e quadris largos (como algumas mulheres) tem maior risco de desenvolver tendinite patelar, devido ao desalinhamento de outros membros inferiores com os joelhos.

Tendinite no pé (Tendinite de Aquiles)

A tendinite no pé (CID 10 - M76.6) é conhecida como tendinite de Aquiles ou tendinite do calcâneo. É uma lesão inflamatória que acomete o tendão de Aquiles, ou seja, o tendão que interliga o calcanhar à panturrilha.

Tendinite no pé (Tendinite de Aquiles) - Foto: Shutterstock
Tendinite no pé (Tendinite de Aquiles) - Foto: Shutterstock

A dor costuma ser notada principalmente ao andar e se levantar, pois são movimentos que forçam a região afetada.

Este tipo de tendinite pode acontecer pelo uso frequente de calçados sem elevação do calcanhar ou inadequados, além de fraqueza dos músculos da panturrilha ou excesso de carga em treinos (como musculação).

Vale ressaltar que a elevação do calcanhar não implica, necessariamente, em uso de salto alto, mas de sapatos que apresentam alguma plataforma que impeça com que o pé fique totalmente plano no chão. Uma dica é usar tênis macios e com amortecimento.

Pessoas com artrite reumatoide ou que sofreram lesões esportivas, como fraturas e entorses, costumam ter maiores riscos de tendinite no pé.

Tendinite no pulso (Tendinite no punho)

A tendinite no pulso (CID 10 - M70) é chamada também de tendinite no punho e se trata de uma inflamação que causa dormência, formigamento e rigidez no punho, além de dor ao movimentá-lo.

Tendinite no pulso (Tendinite no punho) - Foto: Shutterstock
Tendinite no pulso (Tendinite no punho) - Foto: Shutterstock

Essa lesão tende a ser mais frequente em pessoas que fazem atividades repetitivas e manuais, como aquelas que passam o dia digitando. Assim, é classificada como uma Lesão por Esforço Repetitivo (LER).

Tendinite no braço

A tendinite no braço (CID 10 - M75.2) é uma inflamação que, assim como a tendinite no pulso, costuma aparecer devido a esforços repetitivos. Algumas atividades que tornam essa lesão comum são tocar instrumentos musicais, cozinhar, lavar roupa e limpar a casa por horas.

Tendinite no braço - Foto Shutterstock
Tendinite no braço - Foto Shutterstock

Portanto, este tipo de tendinite é mais frequente em professores, empregadas domésticas, atletas, músicos e mecânicos.

Pode resultar em dificuldades para movimentar o braço, principalmente para cima, fraqueza e dificuldade em segurar itens pesados.

Tendinite de Quervain (Tendinite no polegar)

A tendinite de Quervain (CID 10 - M65.4) é uma inflamação que afeta o tendão que liga o polegar ao punho. É também conhecida como "tenossinovite", "tendinite no polegar", "síndrome de De Quervain" ou "enfermidade de De Quervain".

Tendinite de Quervain (Tendinite no polegar) - Foto: Shutterstock
Tendinite de Quervain (Tendinite no polegar) - Foto: Shutterstock

A doença foi descoberta em 1985 pelo médico suíço Fritz De Quervain e afeta principalmente mulheres entre 30 e 50 anos.

A causa ainda é desconhecida, mas alguns estudiosos acreditam que esse tipo de tendinite esteja associado a manter a mesma posição por tempo prolongado, esforços repetitivos, sobrecarga e falta de alongamento.

Na maioria dos casos, a tendinite de Quervain é unilateral, afetando somente uma das mãos. A dor irradia do pulso ao polegar ou antebraço.

Tendinite calcárea

A tendinite calcárea (CID 10 - M75.3) é uma tendinite no ombro, em que acontece um depósito de cálcio no tendão. É mais comum em pessoas acima de 40 anos e não se sabe ao certo a origem da doença.

Raio-X de tendinite calcárea - Foto: Shutterstock
Raio-X de tendinite calcárea - Foto: Shutterstock

Cientistas deduzem que a tendinite calcárea esteja associada a um episódio anterior de tendinite no ombro, o que pode reduzir a vascularização do tendão e dar brecha ao acúmulo de cálcio.

Os primeiros sintomas são dores leves e desconforto na região. Se não tratada, ela pode levar a dores intensas e perda de mobilidade.

Tendinite na mão

Além da tendinite no pulso e tendinite de Quervain, é possível apresentar a tendinite na mão (CID 10 - S66). Esta lesão acomete as "costas das mãos" (dorso), levando a formigamentos, inchaço, ardência. Por vezes, pode gerar um incômodo como se um elástico estivesse sendo esticado ao máximo.

Tendinite na mão (dorso) - Foto: Shutterstock
Tendinite na mão (dorso) - Foto: Shutterstock

É mais habitual em trabalhadores que costumam se ocupar de trabalhos braçais e repetitivos, como digitadores, faxineiras, pedreiros e artistas visuais.

A tendinite no quadril (CID 10 - M76) é o inchaço do tendão que interliga músculos aos ossos do quadril. Provoca dores intensas que podem se estender para as pernas, dificultando movimentos e resultando em câimbras constantes.

Similar aos demais tipos de tendinite, a tendinite no quadril normalmente tem origem em esforços repetitivos daquela determinada região do corpo.

Tendinite no cotovelo (epicondilite lateral ou epicondilite medial)

A tendinite no cotovelo é denominada como "epicondilite" (ou, popularmente, "cotovelo de tenista"), causando dores fortes ao movimentar o braço. Apesar de ter origem no cotovelo, pode resultar em fraqueza de todo o braço até o pulso.

Tendinite no cotovelo - Foto: Shutterstock
Tendinite no cotovelo - Foto: Shutterstock

A epicondilite, portanto, pode ser dividida em duas categorias:

  • Epicondilite lateral (CID 10 M77.1): dor sentida no osso próximo ao lado externo do cotovelo.
  • Epicondilite medial (CID 10 M77.0): dor sentida no osso do lado interno do cotovelo.

A epicondilite medial costuma ser uma dor mais aguda do que a lateral, especialmente quando o paciente tenta pegar algum objeto ou se alongar.

Causas

O tendão não é tão forte quanto o osso e nem tão elástico quanto o músculo, portanto, no caso de sobrecarga, é a estrutura que, geralmente, mais sofre.

Assim, as causas da tendinite costumam estar relacionadas, principalmente, a alguns fatores de risco que resultam na sobrecarga dos tendões.

Bursite e tendinite

A bursite e a tendinite costumam ser confundidas, mas João Hollanda, ortopedista com especialização em cirurgia do joelho e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, explica que são doenças distintas.

A confusão ocorre porque a bursite é a inflamação das bursas, estruturas que estão muito próximas aos tendões, e apresenta sintomas parecidos com a tendinite.

Para diferenciar, são necessários exames físicos e de imagem. Por vezes, pode acontecer de uma tendinite levar à bursite e vice-versa.

Câimbra e tendinite

A câimbra é uma dor de origem repentina, associada à contratura muscular. Portanto, é passageira e bastante pontual, provavelmente resultando de algum movimento específico.

Isso é bem diferente da tendinite, que é uma dor de início insidioso e mais duradoura. O exame clínico feito pelo médico é a melhor forma para fazer esta diferenciação.

Fatores de risco

Falta de alongamento muscular

A falta de alongamento dos músculos acaba sobrecarregando o tendão.

Postura inadequada

Ombros para frente diminuem o espaço destinado ao deslizamento dos tendões que os movimentam, causando atrito e lesão.

Movimentos repetitivos

Esforços repetitivos, principalmente o uso de computadores, tablets ou celulares, acarreta a fadiga dos tendões.

Idade

Com o passar dos anos, a circulação sanguínea nos tendões fica deficiente.

Estresse

O estresse ocasiona contraturas musculares e fadiga, prejudicando os tendões.

Atividades esportivas erradas

Exercícios em excesso ou com técnica ou materiais inadequados podem causar tendinite.

Doenças autoimunes

Doenças autoimunes são patologias que podem fazer com que as células de defesa do nosso corpo reconheçam os tendões como inimigos por engano e comecem a atacá-los.

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Sintomas

Sintomas de Tendinite

Os sintomas de tendinite mais comuns são:

  • Dor local, que pode irradiar para toda musculatura ao redor
  • Fadiga
  • Perda de força
  • Fisgadas e dores ao se movimentar
  • Inchaço
  • Calor
  • Vermelhidão
  • Formigamento
  • Perda da mobilidade
  • Atrofia muscular
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Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Tendinite

Se você está em dúvida sobre como diagnosticar a tendinite, os especialistas mais apropriados para isso são:

  • Ortopedista
  • Reumatologista
  • Fisioterapeuta

O diagnóstico de tendinite geralmente é feito por meio da história que o paciente conta ao médico e pelo exame físico. O profissional buscará por sinais de dor e sensibilidade nos locais indicados pelo paciente. Existem testes físicos específicos para cada tipo de tendão.

Pode ser, no entanto, que o médico solicite algum exame de imagem que julgar apropriado para certificar-se do diagnóstico, avaliar o grau de inflamação e, também, para eliminar outras possíveis causas de dor.

Exames

Exames físicos

É comum a dúvida sobre qual o exame mais indicado para descobrir a tendinite. De acordo com o fisioterapeuta Fabiano Fonseca, o método mais usado para o diagnóstico de tendinite é o exame físico. Com isso, o médico poderá checar se o problema é tendinite, lesão muscular ou lesão articular.

Exames de imagem

Para o diagnóstico de tendinite, os exames de imagem são complementares. Os mais frequentes são ultrassonografia e a ressonância nuclear magnética.

A ultrassonografia é mais barata e acessível, porém apresenta menos detalhes das lesões. Já a ressonância é mais cara e possui radioatividade, mas demonstra um nível muito maior de detalhamento.

Buscando ajuda médica

A maioria dos casos de tendinite se resolve em alguns dias com o repouso da área afetada. O ideal é procurar o médico se os sintomas persistirem.

Na consulta, descreva todos os seus sintomas e tire dúvidas. Esteja preparado, também, para responder às perguntas do médico. Veja alguns exemplos:

  • Onde você está sentindo dor?
  • Quando a dor começou?
  • Você tem dor durante o sono?
  • A dor foi provocada por alguma lesão?
  • Você notou algum inchaço?
  • Seu trabalho envolve repetição de movimentos?
  • Você pratica quais esportes?
  • Você sente dor ao fazer alguns movimentos? Quais?
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Tratamento e Cuidados

Tratamento de Tendinite

O tratamento para tendinite pode ser dividido em algumas categorias, a depender do local, intensidade e complicações.

Como aliviar a tendinite

  • Repousar e evitar movimentos do local afetado (o tratamento para tendinite no ombro, neste caso, pode ser feito com tipoia
  • e no punho, com tala)
  • Fazer compressas
  • Tomar anti-inflamatórios
  • Realizar acupuntura
  • Fazer fisioterapia para analgesia (ultrassom, laser, massagem miofascial)

O tempo de repouso deve ser determinado pelo médico – períodos de repouso prolongados podem acarretar aderências e atrofia muscular e são prejudiciais.

Há ainda quem se pergunte sobre qual a compressa mais indicada para tendinite. Segundo o fisioterapeuta Marcel Tomonori Sera, o ideal é fazer compressa de gelo para casos agudos (recentes) e compressa de água quente para casos crônicos (já existem há semanas).

Quanto aos anti-inflamatórios para tendinite, apenas tome aqueles prescritos pelo médico e nunca se automedique.

Como impedir que a tendinite retorne

  • Corrigir a postura
  • Melhorar a ergonomia no trabalho
  • Alongar-se
  • Fortalecer os músculos
  • Respeitar o aviso da dor
  • Mudar hábitos, adotando pausas e alongamentos durante o expediente

Cirurgia para tendinite

Em alguns casos, quando os tratamentos tradicionais falharem, pode ser necessário realizar um procedimento cirúrgico.

A cirurgia para tendinite é focada em descomprimir um tendão apertado, liberar aderências e limpar inflamações ao redor do tendão, ressecar fibrose ou calcificação dentro do tendão, ou ter que costurá-lo para corrigir uma lesão.

Medicamentos para Tendinite

Os melhores remédios para tendinite são:

Somente um médico pode dizer qual o remédio para tendinite mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

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Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

A recuperação de uma tendinite exige repouso e imobilização dos tendões afetados, que são medidas úteis. Pode-se conseguir isso utilizando uma tala ou um suporte removível. A aplicação de calor ou frio na área afetada também pode ajudar, bem como fisioterapia e acupuntura.

Quanto tempo pode durar uma tendinite

A duração de uma tendinite pode variar, a depender de cada caso. No geral, a recuperação de uma tendinite mais leve pode ser de alguns dias a 6 semanas. Já uma tendinite grave pode durar até 9 meses.

Não exceda o repouso

Procure também sempre manter elevado o local de inflamação para reduzir a vermelhidão e o suor nas áreas afetadas.

Mas atenção: apesar de o repouso ser uma das medidas mais recomendadas pelos médicos, passar muito tempo sem exercitar o local de inflamação pode agravar a tendinite.

Por isso, é importante manter o repouso no início do tratamento, mas, depois, procure acrescentar alguns exercícios leves à sua rotina para alongar e fortalecer o músculo, evitando atrofia.

Complicações possíveis

A tendinite pode ser aguda (história de dor recente, até 45 dias) ou, se não tratada, tornar-se um problema crônico.

Sem o tratamento adequado, a tendinite pode levar a problemas mais graves, como a ruptura do tendão, que pode exigir uma cirurgia para reparação dos danos. Pode resultar, também, em outras lesões e na recorrência de tendinite.

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Prevenção

Prevenção

As principais medidas capazes de prevenir tendinite consistem em:

  • Evitar movimentos repetitivos
  • Alongar-se durante o dia
  • Praticar exercícios físicos regularmente
  • Não exceder a intensidade ou peso durante os exercícios
  • Nunca esquecer de alongar antes e depois de exercícios físicos
  • Prestar atenção na postura

Assim, a prevenção da tendinite é focada em "fortalecer o tendão e corrigir o movimento durante a prática esportiva, ou seja, melhorar a técnica esportiva", afirma o ortopedista João Hollanda.

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Fontes e referências

  • Eduardo Pereira, ortopedista cirurgião de mão do Hospital Israelita Albert Einstein

    Fabiano Fonseca, fisioterapeuta com especialização em reabilitação aplicada ao atleta, traumatologia do esporte, RPG, RPM, reeducação postural e membro da Therapy Taping Association

    João Hollanda, médico ortopedista com especialização em cirurgia do joelho, médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, membro do Grupo de Traumatologia do Esporte da Santa Casa de São Paulo

    Ministério da Saúde

    Sociedade Brasileira de Ortopedia