transtorno desafiador opositivo: sintomas, tratamentos e causas

Visão Geral

O que é transtorno desafiador opositivo?

Sinônimos: transtorno opositivo desafiador, TOD

Assim como qualquer adulto, as crianças também podem ter seus momentos de raiva e indignação. Afinal, sentir raiva é uma manifestação instintiva do ser humano e é importante que, ao longo do desenvolvimento, cada indivíduo aprenda a controlá-la.

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No entanto, quando os episódios de raiva são constantes e a criança se recusa a obedecer e adquire o hábito de discutir com adultos, é possível que ela tenha Transtorno Desafiador Opositivo.

O transtorno desafiador opositivo é uma condição comportamental da infância, caracterizada por constantes episódios de desobediência e hostilidade. De acordo com a Sociedade Americana de Psiquiatria, cerca de uma em cada 10 crianças com menos de 12 anos de idade tem o transtorno. A incidência costuma ser maior entre os meninos.

O TDO faz parte de um grupo de transtornos comportamentais conhecidos como Transtornos de Comportamento Disruptivo, que incluem Transtornos de Conduta, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno de Déficit de Atenção.

Para o psiquiatra da criança e do adolescente Gustavo Teixeira, autor do livro Transtornos Comportamentais na Infância e na Adolescência, é preciso ter cautela para diagnosticar a doença. O motivo disso é que muitas vezes é difícil distinguir o transtorno desafiador opositivo de um comportamento normal de busca de independência e insatisfação.

No entanto, o importante é considerar a frequência e a intensidade dos episódios. Teixeira explica que, para que seja considerada a hipótese de transtorno desafiador opositivo, é necessário que os sintomas tenham sido frequentes nos últimos seis meses.

Uma criança com transtorno desafiador opositivo apresenta perda frequente da paciência, discute com adultos e se recusa a obedecer solicitações ou regras. "A criança que sofre do transtorno desafiador opositivo também costuma apresentar comportamento ressentido, mostrando-se com rancor e com ideias de vingança", diz o médico.

Muitas vezes os pais se sentem intimidados diante do comportamento agressivo da criança, pois pode ser muito difícil lidar com a situação. Sendo assim, pode-se ter a impressão de que é mais fácil desistir do que tentar contornar a manifestação de raiva da criança.

No entanto, o especialista explica que quando não tratado, o transtorno pode evoluir para outros problemas de conduta na adolescência. Da mesma forma, ao aprender a lidar com suas emoções e recebendo apoio de pais e responsáveis é possível amenizar a situação.

Causas

O transtorno desafiador opositivo não tem uma causa definida, mas a construção dos relacionamentos familiares parece ser um fator importante para o desenvolvimento do distúrbio. Confira a seguir quais fatores podem facilitar o desenvolvimento de TDO:

  • Conflito entre os pais ou responsáveis
  • Violência doméstica
  • Abuso físico
  • Abuso sexual
  • Negligência
  • Uso indevido de substância por pais e responsáveis

Fatores de risco

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Sintomas

Sintomas de transtorno desafiador opositivo

O Manual Diagnóstico e Estatístico publicado pela Associação Americana de Psiquiatria explica quais são os critérios para o diagnóstico do Transtorno Desafiador Opositivo. Vale ressaltar que somente um profissional da área da saúde pode realizar esse diagnóstico. Os critérios incluem sintomas emocionais e comportamentais que duram pelo menos seis meses.

  • Acessos de raiva frequentes
  • Discute com frequência com adultos, particularmente com adultos que fazem parte de sua rotina, como pais, parentes e professores Recusa-se a trabalhar em grupo
  • Não aceita ordens
  • Não realiza deveres escolares
  • Não aceita crítica
  • Tem baixa autoestima
  • Quer tudo ao seu modo
  • Perturba outros alunos
  • Responsabiliza os outros por seu comportamento hostil
  • É frequentemente rancoroso ou vingativo
  • Demonstrou comportamento rancoroso ou vingativo pelo menos duas vezes nos últimos seis meses.

Níveis de Transtorno Desafiador Opositivo

Leve: sintomas ocorrem apenas em um ambiente, como somente em casa, escola ou em outra dinâmica que faça parte da vida da criança

Moderado: sintomas ocorrem em pelo menos dois ambientes

Grave: alguns sintomas ocorrem em três ou mais situações

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Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de transtorno desafiador opositivo

O diagnóstico pode ser feito por meio de entrevistas detalhadas com a criança (caso tenha idade suficiente), bem como com pais, responsáveis e professores, comparando-se o comportamento da criança com a lista de verificação para o Transtorno Desafiador Opositivo presente no Manual .

Reunir informações de diferentes pessoas pode ajudar o profissional a determinar com qual frequência os comportamentos ocorrem e em quais momentos. Além disso, também irá determinar como os comportamentos afetam as diferentes esferas da vida da criança.

O profissional de saúde poderá identificar:

  • O nível de transtorno desafiador opositivo
  • Se os conflitos são com colegas ou figuras de autoridade
  • Se o comportamento é resultado de situações estressantes em casa
  • Se a criança reage negativamente a todas as figuras de autoridade ou apenas aos seus pais ou responsáveis.

Doenças associadas ao Transtorno Desafiador Opositivo

Pode acontecer de a criança diagnosticada com o Transtorno Desafiador Opositivo manifestar outras condições de saúde mental e de aprendizagem. Quando há mais de uma manifestação, é chamado de condição coexistente. Algumas doenças que podem se manifestar são:

  • TDAH
  • Transtorno de Ansiedade
  • Depressão
  • Transtorno bipolar
  • Distúrbios de aprendizagem
  • Distúrbios de linguagem.

Quando procurar um médico?

Dificilmente a criança irá perceber sozinha que seu comportamento não está adequado. Em vez disso, é possível que ela se queixe das exigências que fazem a ela, podendo culpar quem estiver ao seu redor. Quando o adulto percebe que a criança está manifestando esse tipo de comportamento é possível procurar um psicólogo ou psiquiatra infantil.

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Tratamento e Cuidados

Tratamento de transtorno desafiador opositivo

Para que o tratamento do Transtorno Desafiador Opositivo seja eficaz é preciso que tantos os filhos quanto os pais estejam inseridos nessa dinâmica. Isso porque é necessário que o relacionamento entre o adulto e a criança seja reparado, o que significa que todos precisam mudar padrões de comportamento para assim ter uma relação saudável.

O tratamento que costuma ser mais utilizado é a psicoterapia - individual e familiar. O objetivo é ajudar os pais a encontrar um caminho do meio entre ser muito permissivo e muito autoritário. Com o auxílio de um profissional, é possível ajudar os pais a estimularem o comportamento saudável em seus filhos, estabelecendo uma comunicação clara, com elogios e medidas educativas no momento necessário.

Os pais também podem estabelecer e fortalecer vínculos de confiança com os filhos, ajudando-os a trabalharem juntos nos momentos de adversidades.

Não há uma medicação específica para tratar Transtorno Desafiador Opositivo, no entanto, pode ser que o médico recomende o uso de medicação na terapia comportamental. De qualquer forma, somente o médico saberá indicar o melhor medicamento para a criança.

É importante dizer que independentemente do tratamento realizado, o apoio dos pais é fundamental para a transformação da criança.

Terapia com os pais - o objetivo de incluir os pais no tratamento é para que eles possam desenvolver uma relação mais saudável com seus filhos e saibam impor disciplina de forma assertiva e afetuosa. A abordagem pode incluir técnicas comportamentais que reforcem o bom comportamento.

Terapia familiar - visa ensinar todos os membros da família a se comunicarem

Terapia cognitiva comportamental - tem como meta ensinar a resolução de problemas à criança, a fim de reduzir comportamentos inadequados. Visa também ensinar maneiras positivas de responder à situações estressantes.

Medicamentos - não há uma medicação específica para tratar o transtorno desafiador opositivo. Porém a medicação pode ser útil como parte de um plano de tratamento mais abrangente, a fim de ajudar a controlar comportamentos específicos e tratar condições coexistentes, como TDAH, ansiedade e transtornos de humor.

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Convivendo (prognóstico)

Complicações possíveis

Crianças e adolescentes que desenvolvem o transtorno desafiador de oposição podem ter problemas de relacionamento com pais e irmãos, professores e alunos e também com colegas de trabalho ou outras figuras de autoridade. Além disso, quando não tratado, o transtorno desafiador opositivo pode causar os seguintes problemas:

  • Baixo desempenho escolar e profissional
  • Comportamento antissocial
  • Problemas relacionados ao controle de impulsos
  • Transtorno por uso de substâncias

Muitas crianças com transtorno desafiador opositivo também podem apresentar outros problemas como:

transtorno desafiador opositivo tem cura?

Cada criança pode reagir ao tratamento de uma maneira e, como explicamos anteriormente, pode ser que hajam outras condições de saúde mental relacionadas. No entanto, é necessário dizer que com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acolhimento a criança pode desenvolver habilidades sociais, psicológicas e cognitivas que contribuam para que ela tenha uma vida normal. Converse com o médico de seu filho. Ele poderá esclarecer todas as suas dúvidas.

Tente responder de forma amorosa

Interagir de forma enérgica com a criança num momento de agressividade pode fazer com que a situação saia do controle. Porém, é importante fazer com que ela entenda que seu comportamento não está adequado e que ela pode agir de outra forma. Tente dizer isso de forma calma e clara.

Caso você sinta que está perdendo a paciência com a criança, tenha em mente que ela convive com uma condição de saúde que precisa de apoio e orientação profissional e não tem culpa de viver essa situação.

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Prevenção

Prevenção

Não há maneira de prevenir o transtorno desafiador opositivo. No entanto, criar um vínculo saudável com a criança equilibrando disciplina e carinho é uma forma de ampliar o diálogo em momentos de conflito. Além disso, o diagnóstico e tratamento precoce podem contribuir para evitar que o quadro se intensifique.

O tratamento adequado pode ajudar a restaurar e construir a autoestima da criança.

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Fontes e referências