Trombose: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Bruno Lima Naves
Angiologia - CRM 13800/MG
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Trombose?

Sinônimos: trombose venosa profunda, tvp

A trombose, também conhecida como Trombose Venosa Profunda (TVP), é a formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias localizadas da parte inferior do corpo, geralmente nas pernas. Os principais sintomas são dores e inchaço na pernas, queimação e mudança na cor da pele.

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Além dos tipos de trombose (aguda e crônica), a doença também pode se manifestar de diferentes formas: trombose hemorroidaria, trombose cerebral e trombose arterial.

Trombose hemorroidaria

Quando uma hemorroida tem a formação aguda de trombos, chamamos isso de uma trombose hemorroidaria (CID 10 - I84.3). Esse quadro implica no desenvolvimento de um nódulo com edema e de coloração arroxeada na margem anal.

É frequentemente acompanhado de dor severa. Saiba mais sobre a trombose hemorroidaria neste artigo.

Trombose cerebral

Quando existe uma obstrução total das artérias do cérebro, chamamos de acidente vascular cerebral, também conhecido pela sigla AVC. Assim, a trombose cerebral (CID 10 - I63.6) é um tipo de AVC, em que a região a que o sangue não chega sofre um infarto cerebral e morre.

Trombose arterial

Além da trombose venosa profunda, existem também trombos que se formam nas artérias, bloqueando totalmente este vaso e causando a chamada trombose arterial (CID 10 - I74).

Saiba mais detalhes sobre a trombose arterial neste artigo.

Diferença entre trombose e tromboflebite

A tromboflebite (CID 10 - I80) consiste na inflamação deste coágulo formado quando há uma trombose e tem sintomas como calor na região, vermelhidão e varizes ou veias dilatadas.

O tratamento para a tromboflebite é baseado em anti-inflamatórios, analgésicos, repouso e pomadas para alívio de dores.

Por sua vez, o tratamento da trombose (CID 10 - I82) é voltado ao uso de anticoagulantes e, raramente, cirurgia para retirar os trombos das veias.

Tipos

A trombose tem dois tipos, sendo classificada como aguda ou crônica.

Trombose aguda

Inicialmente uma trombose pode ser considerada um evento agudo que muitas vezes o corpo mesmo utiliza de mecanismos para dissolvê-lo.

Trombose crônica

Durante o processo de dissolução do coágulo que é natural do corpo, podem ficar sequelas no interior das veias, destruindo a estrutura das válvulas. É a partir desse momento que a doença se torna crônica.

Por conta dessas alterações nas válvulas, o retorno do sangue fica prejudicado e leva ao aparecimento de inchaço, varizes, escurecimento e endurecimento da pele e até feridas.

Causas

Quais as causas da trombose?

A trombose ocorre quando há formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias grandes das pernas e das coxas. Esse coágulo bloqueia o fluxo de sangue e causa inchaço e dor na região. O problema maior é quando um coágulo se desprende e se movimenta na corrente sanguínea, em um processo chamado de embolia. Uma embolia pode ficar presa no cérebro, nos pulmões, no coração ou em outra área, levando a lesões graves.

Bloqueio do fluxo de sangue

A trombose ocorre quando há formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias grandes das pernas e das coxas. Esse coágulo bloqueia o fluxo de sangue e causa inchaço e dor na região.

O problema maior é quando um coágulo se desprende e se movimenta na corrente sanguínea, em um processo chamado de embolia. Uma embolia pode ficar presa no cérebro, nos pulmões, no coração ou em outra área, levando a lesões graves.

Diferenças entre coagulação normal, trombose e embolia - Imagem: Minha Vida
Diferenças entre coagulação normal, trombose e embolia - Imagem: Minha Vida

Trombose no avião

Um medo muito comum das pessoas é o de trombose em viagens de avião. Não à toa a trombose venosa profunda (TVP) é conhecida por muitos como "trombose de viajante".

Realmente um voo é um momento em que o risco de trombose aumenta, já que a pessoa fica sem mover as pernas, o que prejudica o retorno do sangue venoso para o coração. Isso ocorre principalmente em viagens longas e sem escalas ou conexões.

O problema maior é em pessoas que têm alguma predisposição a ter trombose e estão viajando de avião. O sintoma mais comum é inchaço de panturrilha, acompanhado ou não de dor e calor local.

Para evitar a trombose em viagens de avião, algumas dicas são:

  • Vista roupas confortáveis e mais largas, que não causem compressão.
  • Use meias elásticas medicinais, prescritas por médico e adequadamente calçadas, que ajudam no retorno venoso.
  • Tome bastante líquido, principalmente água (além de hidratar, também motiva a pessoa a se levantar para ir ao banheiro).
  • Evite ficar mais de duas horas parado na mesma posição (ande pelo corredor quando permitido, vá ao banheiro).
  • Quando possível, levante-se, movimente e alongue as pernas.

Fatores de risco

Existem alguns fatores que são considerados de risco para a ocorrência de trombose, como:

Pílula anticoncepcional

A pílula anticoncepcional exerce efeito sobre a coagulação sanguínea e alguns estudos mostram haver risco quatro vezes maior para o desenvolvimento de trombose em mulheres que utilizam anticoncepcionais em relação às não usuárias.

Esse risco aumenta com a idade. A incidência é de 4 a 10 mil mulheres por ano; e entre 35 a 39 anos passa a ser de aproximadamente 9 a 10 mil mulheres anualmente.

Esse risco é maior no primeiro ano de uso do contraceptivo e está aumentado em tabagistas que fumam acima de dez cigarros por dia.Saiba mais sobre esta relação neste artigo.

Ficar sentado

Permanecer sentado por muito tempo, principalmente quando se está dirigindo ou dentro de um avião, eleva as chances de trombose.

Quando as pernas ficam na mesma posição por um tempo prolongado, os músculos da panturrilha não se contraem, o que dificulta a circulação de sangue e leva à doença.

Passar muito tempo deitado ou em repouso absoluto, comum em caso de internações hospitalares, por exemplo, também facilitam a ocorrência de trombose venosa profunda.

Hereditariedade

Algumas famílias carregam no sangue uma desordem que facilita a coagulação sanguínea, chamada de hipercoagulabilidade. Essa hereditariedade não costuma ser uma ameaça constante para a saúde, mas se combinada com outro fator de risco para a trombose, é bom ficar de olho e manter acompanhamento médico constante.

Machucados

Injúrias nas veias e cirurgias podem dificultar o fluxo sanguíneo, o que aumenta as chances de coágulo. A anestesia que é geralmente aplicada antes de procedimentos cirúrgicos dilata as veias e facilita a coagulação.

Gravidez

Trombose e gravidez são dois termos que costumam assustar as futuras mamães. Isso porque a gravidez aumenta a pressão exercida sobre as veias da pélvis e das pernas, mas isso só se torna um problema quando a mulher possui suscetibilidade genética para a coagulação sanguínea.

Mas atenção: o risco de o sangue coagular continua alto mesmo seis semanas após o parto. Por isso, prossiga com o acompanhamento médico neste período.

Quadros de saúde específicos

Alguns tipos de câncer e tratamentos aumentam a quantidade de substâncias no sangue que facilitam a coagulação.

Infecções gastrointestinais, como colites ulcerosas, também são consideradas um fator de risco.

Atenção para a insuficiência cardíaca. Um coração fraco não bomba a mesma quantidade de sangue que um coração saudável costuma bombear, o que também aumenta os riscos de coagulação.

Marcapasso e cateter nas veias podem causar irritação nos vasos sanguíneos e diminuir o fluxo do sangue.

Glóbulos sanguíneos em excesso sendo produzidos pela medula óssea (policitemia vera) tornam o sangue mais denso e lento do que o normal, o que facilita a formação de coágulos.

Obesidade

A obesidade é um sério fator de risco para a trombose, pois o excesso de peso e o acúmulo de gorduras exercem ainda mais pressão sobre as veias, dificultando a passagem do sangue, principalmente nos vasos da pélvis e das pernas

Tabagismo

O hábito de fumar afeta a circulação de sangue e facilita a coagulação.

Idade

Pessoas acima dos 60 anos de idade são mais propensas a desenvolver trombose do que pessoas mais jovens.

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Sintomas

Sintomas de Trombose

Em aproximadamente metade dos casos, a trombose não manifesta sintomas no paciente. No entanto, pode acontecer de a pessoa despertar alguns sinais da doença.

  • Dor nas pernas, principalmente nas panturrilhas, podendo chegar até o pé e o tornozelo
  • Sensação de queimação na região afetada
  • Mudanças na cor da pele da região afetada pela doença, que começa a ficar vermelha ou azul
  • Edema (inchaço) na perna afetada
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Diagnóstico e Exames

Na consulta médica

Procure um especialista imediatamente se os principais sintomas de trombose surgirem. Se não for tratada, trombose pode evoluir para complicações mais graves.

Especialistas que podem diagnosticar trombose são:

  • Clínico geral
  • Angiologista
  • Cirurgião vascular

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

Imagens comparativas entre coagulação normal e perna com trombose - Imagem: Minha Vida
Imagens comparativas entre coagulação normal e perna com trombose - Imagem: Minha Vida
  • Lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram.
  • Histórico médico, incluindo outras condições e medicamentos ou suplementos que tome com regularidade
  • Caso haja fortes dores e dificuldade para locomoção, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando seus sintomas começaram?
  • Você sente dores nas pernas?
  • Com que frequência?
  • Qual a intensidade das dores?
  • Há alguma medida que você tenha adotado que melhorou ou agravou os sintomas?
  • Você tem histórico familiar de trombose ou relacionado à coagulação sanguínea?
  • Quais outras doenças você apresenta ou já apresentou durante a vida?

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar.

Para trombose, algumas perguntas básicas incluem:

  • Qual a causa mais provável dos meus sintomas?
  • Que exames eu preciso fazer?
  • Qual o melhor tratamento?
  • Quais as alternativas a esta primeira opção de tratamento que você está me oferecendo?
  • Eu preciso restringir minha atividade física ou evitar viagens?
  • Eu tenho outras condições de saúde, como posso controlá-las juntas?
  • Quais as possíveis complicações no meu caso?

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Trombose

Para saber se o seu caso é de trombose ou não, o médico deverá lhe fazer perguntas sobre seus sintomas e também realizará um exame físico. No entanto, esses métodos podem não ser suficientes para fazer o diagnóstico e outros exames podem ser solicitados.

Exames

Alguns exames podem ser solicitados para melhorar o diagnóstico da trombose, veja quais são eles:

Ultrassonografia

Este exame de imagem é usado para identificar os locais em que há coagulação de sangue.

Exame de sangue

Pedido para verificação de substâncias na corrente sanguínea que costumam facilitar a coagulação.

Venografia

Neste exame um corante é injetado nas veias para identificar locais de coagulação. Este é um método pouco utilizado, pois existem exames menos invasivos e igualmente eficientes para o diagnóstico de trombose.

Eco Color Doppler (Ultrassom Vascular)

O exame usa a tecnologia do ultrassom para ter imagens mais precisas das veias acometidas pelo problema, de forma não invasiva.

Tomografia e ressonância magnética

Estes exames de imagem também são opções, já que produzem imagens dos vasos e são capazes de identificar coagulações. São reservados aos casos de embolia pulmonar.

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Tratamento e Cuidados

Tratamento de Trombose

Depois de feito o diagnóstico, é hora de iniciar o tratamento. O objetivo do tratamento para trombose pode ser dividido em três métodos de ação diferentes.

  • Impedir o crescimento do coágulo sanguíneo
  • Impedir que o coágulo sanguíneo avance para outras regiões do corpo e, assim, evitar possíveis complicações.
  • Reduzir as chances de recorrência da trombose.

Existem algumas opções de tratamento disponíveis, são elas:

  • Diluidores do sangue, como anticoagulantes, que diminuem as chances de haver coagulação do sangue.
  • Uso de medicamentos para casos mais graves de tromboses e também de embolia pulmonar, conhecidos como heparina.
  • Inserção de filtros na maior veia do abdômen para impedir que os coágulos sanguíneos se desloquem para os pulmões.
  • Meias de compressão para melhorar o edema causado pela trombose.

Medicamentos para Trombose

Os medicamentos mais usados para o tratamento de trombose são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

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Convivendo (prognóstico)

Trombose tem cura?

Muitos casos de trombose resolvem-se com tratamento, mas a doença pode retornar. Sem o tratamento necessário, trombose pode evoluir para problemas mais graves e levar, inclusive, à morte.

Por isso, é importante seguir à risca as orientações médicas e fazer visitas constantes a um especialista, para que haja monitoramento correto do tratamento e dos medicamentos ministrados por ele.

Complicações possíveis

Dependendo do segmento de veia acometido, a trombose pode ser mais ou menos grave. Quando o coágulo obstrui uma pequena veia da perna, causa um transtorno localizado naquela região (menos grave). Contudo, quanto mais próximo do coração ou maior a veia, maior será a gravidade da trombose e a possibilidade de matar.

Por serem mais frequentes, os maiores problemas da trombose são suas complicações:

  • Insuficiência venosa crônica ou síndrome póstrombótica
  • Inchaço crônico da perna afetada
  • Dor
  • Varizes
  • Mudanças na pele, que pode se tornar mais escura e seca
  • Eczema, coceira muito forte que pode levar a uma ferida de difícil cicatrização
  • Embolia pulmonar (EP) (o que apresenta alto índice de mortalidade)

Embolia pulmonar e trombose

A maior e principal complicação decorrente de trombose é a embolia pulmonar: quando um vaso sanguíneo do pulmão é obstruído por coágulo de sangue, oriundo de outras partes do corpo, especialmente as pernas. A embolia pulmonar pode ser fatal.

Aproximadamente 5 a 15% de indivíduos não tratados da trombose venosa profunda podem morrer de embolia pulmonar. Os dois quadros podem ocorrer em 2 a cada mil indivíduos por ano. Se pensarmos em uma população de 200 milhões no Brasil, podemos ter de 200 mil a 400 mil novos casos por ano!

Convivendo/ Prognóstico

Adote algumas medidas caseiras para tornar o dia a dia com trombose mais fácil:

  • Faça visitas ao médico regularmente para checar o tratamento e os medicamentos ministrados.
  • Controle do consumo de vitamina K caso esteja usando medicamentos que diluem o sangue. Alimentos ricos dessa vitamina, como soja, canola e alguns vegetais verdes escuros, podem prejudicar o funcionamento desses remédios.
  • Exercite frequentemente os músculos inferiores, principalmente a panturrilha.
  • Se permanecer muito tempo sentado, levante para dar uma volta.
  • Mexa-se. Esse é sempre um bom conselho para pessoas com trombose, após a fase aguda.
  • Adapte seu estilo de vida para garantir uma vida saudável e livre da trombose: perca peso, pare de fumar e fique sempre de olho na pressão arterial.
  • Adquira o hábito de vestir meias de compressão.
  • Fique atento a eventuais sangramentos, que podem ser um efeito colateral dos anticoagulantes ministrados pelo médico.
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Prevenção

Prevenção

Prevenir trombose é muito mais fácil do que tratá-la. Confira algumas medidas a serem adotadas:

  • Se tiver que fazer uma cirurgia de grande porte, o médico provavelmente receitará anticoagulantes para evitar problemas mais graves, como trombose. Não se esqueça de tomar os remédios corretamente.
  • Faça visitas ao médico regularmente para checar se está tudo certo.
  • Pratique exercícios físicos regularmente e evite permanecer muito tempo sentado sem movimentar as pernas.
  • Evite o sobrepeso, o fumo, o estresse, o consumo de alimentos que contenham gordura animal.

Como prevenir a trombose no avião?

  • Use roupas confortáveis e largas.
  • Use meias elásticas medicinais.
  • Tome bastante água.
  • Evite ficar mais de duas horas parado na mesma posição.
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Fontes e referências

  • Revisado por: Dr. Bruno Naves, diretor de Publicações da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) – CRM: 13800
  • Ministério da Saúde
  • Instituto Fleury
  • Hospital Sírio-Libanês
  • Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular