Exame PSA: o que é, indicações, preparação e valores de referência

Teste é importante para o diagnóstico do câncer de próstata

ARTIGO DE ESPECIALISTA

Dr. Francisco Paulo da Fonseca
Urologia - CRM 44006/SP
especialista minha vida

O que é o PSA?

O exame de PSA tem como principais funções verificar a presença de um câncer de próstata e o andamento da doença, mas também é um marcador comum para outras doenças da próstata, como a prostatite e lesões no geral.

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PSA, na sigla inglesa: Prostate Specific Antigen (Antígeno Prostático Específico), é uma substância produzida pela célula prostática, eliminado para a luz da glândula e que tem a função de liquefazer o sêmen após a ejaculação.

O líquido seminal ejaculado provém da glândula prostática, das vesículas seminais (que se encontram atrás e para cima da próstata) e menos de 1% por espermatozoides, que vêm dos testículos e epidídimos pelo ductos deferentes).


A maior parte do PSA vem do sêmen, mas uma pequena quantidade pode ser encontrada no sangue. Na verdade, o que ocorre é um refluxo do PSA para o sangue que deveria ir para a luz da glândula, e isto acontece quando há alguma lesão na parede da célula prostática provocada, por exemplo por trauma, inflamação, infecção, proliferação benigna da próstata, conhecida por hiperplasia benigna da próstata ou pelo próprio câncer.

Em resumo, qualquer lesão da membrana da célula prostática pode causar escape do PSA de dentro da célula para o sangue, mesmo que transitoriamente.

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Indicações do PSA

O exame PSA é solicitado para diagnóstico das doenças prostáticas, estadiamento do câncer de próstata (ou seja, avaliar a extensão da doença no organismo, tanto no local da próstata, nos tecidos prostáticos e na pelve, assim como se há metástase), prognóstico (como vai evoluir o paciente com o tratamento), monitorar a resposta do tratamento e detectar a recidiva do câncer da próstata (retorno da doença em algum lugar do organismo após o tratamento).

O PSA é solicitado para que seja avaliada as condições da glândula, já que doenças naturais como hiperplasia benigna da próstata ocorrem invariavelmente pelo envelhecimento do homem, assim como o câncer da próstata.

Há uma relação direta com a genética familiar, hábitos de vida, alimentos consumidos ao longo da vida etc e o PSA. Desta maneira, o PSA é útil para avaliação a saúde da próstata e é um dos marcadores de câncer de próstata, mas não é o câncer específico.

Em suma, o PSA é solicitado em:

  • Homens com mais de 50 anos que estão em risco médio de câncer de próstata e com esperança de vida de pelo menos mais 10 anos.
  • Homens com idade 45 nos com alto risco de desenvolver câncer de próstata: Afro-americanos e homens que têm um parente de 1º grau (pai, irmão ou filho) diagnosticados com a doença com menos de 65 anos de idade
  • . Homens com 40 anos em risco mais elevado, ou seja, aqueles com mais de um parente de 1º grau que tiveram câncer de próstata antes dos 65 anos.
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Lembrando que o PSA é um marcador inespecífico para estudar as doenças comuns da próstata (prostatite, hiperplasia benigna da próstata e câncer de próstata) e portanto não serve exclusivamente para a detecção do câncer de próstata.

Pacientes que estejam urinando bem e sem queixas urinárias podem evidenciar doenças quando analisado o nível do PSA no sangue. Doenças crônicas podem causar alterações no PSA e quando diagnosticadas podem ser tratadas.

Contraindicações do exame PSA

Não existe contraindicação para realizar o exame do PSA, mas ele só deve ser solicitado quando o médico quer diagnosticar doenças da próstata. Não se deve pedir para pacientes jovens e sem risco familiar do câncer de próstata.

Paciente com casos familiares de câncer de próstata devem começar seu rastreamento após os 40 anos de idade, principalmente para aqueles cujos parentes foram diagnosticados com menos de 60 anos de idade.

Uma pessoa saudável, sem antecedentes familiares de câncer de próstata, deve fazer sua primeira dosagem aos 45 anos de idade e inclusive vai servir para projetar o seu risco futuro para desenvolver o câncer de próstata.

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Estimando o risco de câncer de próstata

Estima-se por exemplo que um paciente com PSA menor que 1 ng/ml tenha um risco aproximado para se detectar um câncer de próstata de 3,37 em 10 anos de seguimento, enquanto que um homem com PSA entre 3-10 ng/ml tenha um risco de 38,96 em igual período.

Portanto, o segundo paciente deve ser visto com maior frequência, com avaliação urológica anual, e o primeiro deve ser avaliado a cada dois ou três anos.

Finalizando, a conduta de como se vai manter o controle do rastreamento do câncer de próstata deve ser ditado pelo urologista diante de cada caso, baseado no avaliação clínica, exame físico, laboratorial e de imagem.

Como é realizado o exame de PSA

O PSA é medido por um exame de sangue, que deve ser realizado em jejum. Ele é mensurado por técnica laboratorial de alta sensibilidade para detectar uma pequena quantidade de molécula que estaria presente no sangue, técnica conhecida como radioimunoensaio.

Preparação para o exame

São recomendadas algumas considerações para coleta do sangue aos homens que estão sendo investigados quanto a saúde prostática como:

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  • Jejum de pelo menos quatro horas
  • Não ejacular por 48 horas antes da coleta
  • Não realizar exercícios que causem impacto no períneo, como andar de bicicleta (principalmente as de selim estreito), equitação
  • Não fazer sexo anal antes do exame

Pode impedir a realização do exame temporariamente

  • Exame após toque retal
  • Sondagem uretral
  • Realização de ultrassonografia transretal
  • Biopsia de próstata (como a agulha da biopsia causa um trauma intraprostático, deve-se aguardar pelo menos 30 dias para a coleta da amostra sanguínea)
  • Transtornos miccionais agudos, que apareceram em menos de sete dias, podem refletir alteração clínica na glândula prostática, seja de ordem inflamatória como infecciosa

Possíveis complicações e efeitos colaterais

O exame em si não traz complicações nem efeitos colaterais. As complicações são as inerentes ao diagnóstico e tratamento da doença. Qualquer intervenção medicamentosa ou cirúrgica podem gerar danos transitórios e até definitivos ao paciente.

Por exemplo, existem remédios que podem causar dano na qualidade da ereção e mesmo efeitos sistêmicos que podem alterar o bom funcionamento sistêmico do organismo. Existem remédios para controle do câncer de próstata que causam queda da testosterona, um importante hormônio masculino.

Sua queda, além de causar efeitos claros na sexualidade, pode interferir no bom funcionamento metabólico do organismo, causando disfunções do metabolismo lipídico, predispondo ao diabetes com suas repercussões sistêmicas bem conhecidas.

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Os efeitos colaterais podem ocorrer para o paciente que está realizando o diagnóstico da sua doença, o que faz com que sejam necessários exames complementares. Às vezes, uma biopsia de próstata pode causar uma complicação como uma indesejada infecção prostática e/ou do trato urinário que pode evoluir com comprometimento clínico sistêmico e mesmo septicemia (infecção disseminada pelo organismo).

Resultado do exame

Para entender o resultado, é usado uma padrão prático dos valores do PSA por década de vida - dos 40 aos 49 anos, dos 50 aos 59, dos 60 aos 69 e homens com mais de 70 anos.

Para homens considerados portadores de próstatas normais, como variação do PSA de temos:

  • 1-2,5 ng/ml dos 40 aos 49 anos
  • 0-3,5 ng/ml dos 50 aos 59 anos
  • 0-4,5 ng/ml dos 60 aos 69 anos
  • 0-6,5 ng/ml para mais de 70 anos

Valores acima destes limites são considerados anormais e podem indicar a presença de alguma anormalidade prostática, desde doenças benignas como malignas.

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Obviamente o valor do PSA também sofre variação da sua normalidade conforme o volume da próstata, afetado por hábitos alimentares e de vida, assim como a própria genética individual - por isso, apenas o seu médico poderá confirmar o seu diagnóstico.

Cabe ao médico avaliar o PSA, se está anormal para cada paciente, considerando suas queixas clínicas e o exame físico da próstata. As vezes, o PSA pode estar aumentado, mas não significa doença que deva ser tratada, mesmo que o diagnóstico seja de câncer prostático.

Um PSA pode estar aumentado para a idade do paciente e na investigação por imagem se detecta uma próstata volumosa, mas se o paciente não apresentar sintomas urinários importantes não há necessidade de nenhum tratamento, seja clínico ou cirúrgico.

A clínica do paciente associado com seus exames periódicos vão dizer ao urologista o melhor momento para iniciar alguma intervenção.

Causas clínicas que aumentam o PSA

O PSA aumenta com a idade, ejaculação (abstinência por dois dias antes de dosar), trauma prostático (principalmente bicicleta com selim estreito), infecção do trato urinário, prostatite, hiperplasia benigna da próstata volumosa, câncer de próstata, uso de testosterona, procedimentos urológicos: cistoscopia, biópsia de próstata, toque retal.

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Causas clínicas que diminuem o PSA, mesmo nos portadores de câncer de próstata

O uso de certas medicações e características do paciente podem diminuir os níveis do PSA e mascarar sintomas. Dentre eles:

  • A obesidade tende a baixar os níveis do PSA.
  • Os inibidores da 5-alfa redutase: Finasterida (Proscar® ou Propecia®) ou dudasterida (Avodart®).
  • Misturas de ervas: algumas são vendidas como suplemento alimentar e podem mascarar um alto nível de PSA. O Saw Palmetto não parece afetar o PSA.
  • Aspirina pode ter este efeito, sendo maior em não-fumantes.
  • Estatinas: uso prolongado de drogas redutoras do colesterol, como a atorvastatina (Lipitor®), rosuvastatina (Crestor®) e sinvastatina (Zocor®).
  • Diuréticos como a hidroclorotiazida.

Periodicidade do exame

Especificamente para detecção precoce do câncer de próstata: a periodicidade do exame atualmente é feita conforme o resultado do valor do PSA, conforme recomendação da sociedades europeia (EUA) e americana (AUA) de urologia.

A Sociedade Americana de Câncer (ACS) recomenda a repetição do PSA conforme o valor do PSA, para homens com PSA menor que 2,5 ng/ml a cada dois anos e anualmente para os homens cujo nível de PSA é maior que 2,5 ng/ml.

Diagnóstico do câncer de próstata

Em países desenvolvidos, mais de 80% dos casos diagnosticados de câncer de próstata confirmados pela biopsia da próstata são vistos pela alteração do nível do PSA, relacionados ao seu aumento em relação ao volume da próstata, a idade do paciente ou pelo seu aumento entre um PSA e outro em um ano.

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O diagnóstico do câncer de próstata é baseado nos dias atuais na avaliação da consistência da próstata ao toque retal e do PSA. Até 20% dos pacientes com PSA considerados normal para a idade são diagnosticados por endurecimento da glândula (nódulo prostático).

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