DIU: o que é, vantagens, dúvidas e como é colocado

Veja como o DIU interfere na menstruação e qual é sua eficácia

Médica segurando um DIU pronto para ser colocado - Foto: Shutterstock
O DIU é colocado em uma consulta normal com o uso de um espéculo

A sigla DIU significa dispositivo intra-uterino e se refere ao método contraceptivo em que uma pequena haste em forma de Y é colocada dentro do útero.

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Esta pequena haste fica por um tempo dentro do útero (que varia de 5 a 10 anos) e libera substâncias que tornam o útero um local hostil para o espermatozoide, impedindo que ele fecunde o óvulo.

Tipos

Tipos de DIU - Foto: Shutterstock
Existem dois tipos de DIU que agem no corpo de formas bem diferentes

Existem dois tipos de DIU, o de Mirena e o de cobre:


DIU de cobre

O DIU de cobre, como o nome sugere, é uma haste revestida com este metal. Ele libera pequenas quantidades de cobre no útero, causando algumas alterações no endométrio (tecido que recobre a parte interna deste órgão), no muco e na motilidade das trompas. Ocorre uma reação inflamatória que não faz mal ao organismo, mas torna a região hostil ao espermatozoide

O uso do DIU de cobre tem chances bem pequenas de gravidez (0,7%).

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DIU de Mirena

Esse dispositivo, além de produzir reações inflamatórias no útero, possui em sua estrutura o hormônio progesterona. Esse é liberado aos poucos e uma pequena quantidade pode ser absorvida pela corrente sanguínea, porém, o hormônio restringe-se mais ao útero. Ela atua da mesma forma que o DIU de cobre, causando alterações no útero que impedem a gravidez.

Além disso, de acordo com a bula do DIU de Mirena, dois terços das mulheres que usam esse dispositivo apresentam um bloqueio da menstruação. As chances de engravidar usando este dispositivo são de 0,2%.

Veja abaixo um breve quadro comparativo dos dois:

ComparativoMirenaCobre
Carga HormonalPossui 52 mg de Levonorgestrel, liberando cerca de 20 mcg por diaNão possui hormônios
Risco de engravidar0,2%0,7%
Efeitos colateraisChance de suspensão da menstruação e leve aumento de pesoAumento do fluxo menstrual e das cólicas
VantagensAjuda mulheres que entrarão na menopausa, reduz o fluxo menstrual e beneficia mulheres com endometrioseMétodo mais barato, pode ser usado por mais tempo e não é afetado pelo uso de medicamentos
IndicaçõesMais optado por mulheres com endometriose, menopausa ou com dismenorreia (ou seja, fluxo menstrual forte e/ou doloroso)Indicado para mulheres que tiveram câncer de mama, não tem problemas com fluxo menstrual
ContraindicaçõesQuem teve câncer de mama nos últimos 5 ou ou possui doenças hepáticas devem evitá-lo deve optar por outro tipoMulheres alérgicas à cobre
Tempo de validade5 anos5 a 10 anos

Quais as chances de engravidar?

As chances de se engravidar usando o DIU são baixas: 0,2% para o DIU de Mirena e 0,7% para o DIU de cobre.

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Quando a gravidez utilizando DIU acontece, é mais fácil identificar quando o DIU é de cobre, porque nestes casos a menstruação, que continua descendo, fica atrasada. Já no DIU Mirena, como muitas mulheres deixam de menstruar, pode demorar até os primeiros sintomas de gravidez aparecerem.

Efeitos colaterais

De modo geral, o uso do DIU pode causar dores na pélvis e aumentar o risco de infecções vaginais, apesar destes sintomas serem raros.

No caso de cada tipo existem efeitos colaterais específicos.

O DIU de cobre, por alterar o endométrio e muco, costuma:

  • Aumentar o volume da menstruação
  • Causar mais cólicas menstruais.
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Já o DIU de Mirena, por liberar hormônios, pode acabar:

  • Suspendendo a menstruação definitivamente (em cerca de 80% dos casos)
  • Causar escapes (pequenos sangramentos)
  • Trazer um leve aumento de peso.

Como fica a menstruação?

Com o DIU de Mirena a menstruação reduz bastante ou mesmo chega a ser suspensa enquanto ele for usado (apesar de haver risco de escapes).

Já o DIU de cobre age de forma contrária, aumentando o fluxo menstrual e as cólicas.

Adaptação ao uso do DIU

A adaptação do uso do DIU varia de mulher para mulher.

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Assim que o dispositivo é colocado, é normal que a mulher sinta um leve desconforto que pode durar por mais ou menos um dia.

Mas, de modo geral, qualquer desconforto costuma durar poucos dias.

Vantagens e desvantagens do DIU

Entre as vantagens do DIU está o fato de ele ser um dispositivo que fica fixo por um certo período no útero e funciona sozinho, não havendo risco de ser mau usado e por isso ter sua eficácia reduzida.

Entre as vantagens específicas do DIU de cobre estão:

  • Tem baixo custo
  • Pode ser usado por até 10 anos
  • Não têm sua eficácia reduzida por nenhum medicamento.
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Mas suas desvantagens são:

  • Aumento do fluxo menstrual e cólicas.

Já o DIU de Mirena tem entre suas vantagens:

Mas ele possui as seguintes desvantagens:

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  • Interfere levemente no peso
  • Pode trazer mudanças de humor e libido, devido aos hormônios
  • É mais caro
  • Sua eficácia pode ser afetada porantiepiléticos (fenobarbital, fenitoína, carbamazepina), antituberculostáticos (rifampicina), antirretrovirais (ritonavir ou nevirapina) e antibióticos (por exemplo, rifampicina, rifabutina, nevirapina, efavirenz).

Compare o DIU de Mirena com a pílula anticoncepcional

É complicado comparar o DIU com as pílulas anticoncepcionais, já que cada tipo possui concentrações diferentes de hormônios.

No entanto, o DIU libera ao dia 20 mcg de levonogestrel, enquanto uma pílula comum costuma ter 0,1 mg desse hormônio. Ou seja, o DIU tem uma carga bem maior de hormônio feminino.

Indicações do DIU

O DIU é indicado para qualquer mulher maior de 14 anos e sexualmente ativa, que não tenha fatores de riscos para doenças inflamatórias pélvicas. De uma forma geral, quem opta por DIU são mulheres com filhos que desejam comodidade no método contraceptivo.

Mulheres com endometriose ou em período pós-menopausa são mais indicadas para o uso do DIU de Mirena.

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Vale ressaltar, no entanto, que o método não deve ser oferecido como a primeira opção de contraceptivo para a paciente e isso ocorre por algumas razões:

  • O ideal é que o médico sempre comece oferecendo medidas terapêuticas (como contraceptivos) começando do que é mais simples para o que mais complexo. Como o DIU requer o acesso direto à cavidade uterina e traz o risco de complicações como inflamações, corrimentos e infecções pélvicas, ele pode ser considerado uma técnica mais complexa do que a pílula, anel vaginal e outros contraceptivos
  • Além disso, mulheres mais jovens e no início da vida sexual tendem a ter experiências mais diversas e ser menos atentas à proteção contra DSTs, e devem ser sempre incentivadas a usarem métodos de contraceptivos com baixa carga hormonal.

Contraindicações do DIU

O DIU não pode ser colocado em mulheres que apresentem:

  • Anormalidades anatômicas do útero
  • Infecção ginecológica ativa
  • Gravidez presente ou suspeita: mulheres grávidas não podem usar DIU, pois há elevado risco de aborto
  • Câncer uterino: mulheres com câncer do endométrio ou do colo do útero não devem utilizar o DIU
  • Sangramento ginecológico de origem não esclarecida: antes da implantação do DIU, qualquer sangramento anormal deve ser investigado.

O DIU de cobre, especificamente, também é contraindicado a mulheres com alergia à cobre. Já o DIU de Mirena não deve ser utilizado por mulheres que tiveram câncer de mama nos últimos 5 anos ou doenças hepáticas, devido aos seus hormônios.

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Como o DIU é colocado

Ilustração do DIU dentro do útero - Foto: Shutterstock
O Diu se acomoda exatamente na parte mais larga do útero, se fixando em suas paredes

O DIU pode ser inserido em qualquer momento do ciclo menstrual, contanto que se tenha certeza de que a paciente não se encontra grávida. A sua eficácia é imediata, independentemente do momento do ciclo.

No entanto, é comum que ele seja colocado na época da menstruação, já que nesse período o colo do útero fica um pouco mais dilatado facilitando o processo.

Antes da implantação, o ginecologista deve fazer um exame ginecológico para descartar a presença de alterações anatômicas e de infecção ginecológica.

O DIU fica implantado dentro do útero e uma fina cordinha ligada à extremidade inferior do dispositivo fica localizada dentro da vagina para servir de suporte no momento da extração do DIU. Esse fio é muito fino e fica muito próximo à saída do colo do útero. Geralmente corta-se em dois centímetros para fora do orifício externo para ser visualizado e ser fácil de ser retirado

Por quanto tempo usar o DIU

O DIU de Mirena normalmente tem uma duração de 5 anos, enquanto o DIU de cobre pode ser usado por até 10 anos, dependendo do produto.

Usar mais tempo do que o recomendado faz com que o DIU pouco a pouco perca sua eficácia em evitar a gravidez.

Em quanto tempo após a retirada do DIU é possível engravidar?

Após a retirada do DIU, a mulher retoma sua fertilidade de imediato e já pode começar a tentar engravidar. Não há necessidade de esperar nenhum prazo. Vale lembrar que qualquer casal tem algo como 50% de chance de engravidar após a suspensão de qualquer método contraceptivo, chegando a 85% em 6 meses. Assim, se não houver impedimentos, a gestação deverá ocorrer em curto espaço de tempo.

Dúvidas frequentes

O DIU pode se deslocar ou sair sozinho?

Durante a menstruação o útero, que é um músculo, pode se contrair, alterando a posição do DIU e até mesmo expulsando-o. Por isso, seu monitoramento deve ser constante. Contudo, uma vez dentro da cavidade este terá sua ação contraceptiva mantida.

Como o DIU afeta a ovulação?

O DIU, mesmo que hormonal, não costuma alterar a ovulação, por isso, sintomas como retenção de líquido e inchaço, comuns antes da menstruação (na chamada fase lútea) não são eliminados.

Como é a adaptação à colocação do DIU?
Isso pode variar de mulher para mulher, mas em geral a adaptação é simples, pode-se ter um aumento de fluxo no caso de DIU de cobre e escapes inter-ciclos no caso do DIU Mirena. Em ambos a paciente pode sentir dismenorreia levemente aumentada, que melhora com o tempo em geral.

É possível engravidar usando DIU?
O método tem 99% de sucesso em contracepção (Índice de Pearl). É muito raro acontecer uma gestação usando DIU. Quando a gravidez acontece, é mais fácil identificar quando o DIU é de cobre porque nestes casos a menstruação, que continua descendo, fica atrasada. Já no DIU Mirena, como muitas mulheres deixam de menstruar, pode demorar até os primeiros sintomas de gravidez aparecerem.

Referências

Ginecologista Pedro Monteleone (CRM-SP 81123), coordenador técnico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e diretor da Clínica de Reprodução Humana Monteleone

Ginecologista Vamberto Maia (CRM-SP 118.297), especialista em reprodução humana assistida e membro do corpo-clínico da Clínica Mãe

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