Traqueostomia: como é feito, para que serve e quais os riscos?

Veja quando o procedimento é indicado e quais cuidados devem ser tomados

ARTIGO DE ESPECIALISTA

Dr. Marcus Borba
Cirurgia de Cabeça e Pescoço - CRM 13236/BA
especialista minha vida

O que é a traqueostomia?

A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que consiste em fazer uma abertura na parede da traqueia, a fim de facilitar a entrada de oxigênio quando o ar está obstruído. Essa abertura é feita por meio de um tubo de metal ou plástico (cânula).

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Quando é indicado?

O procedimento é indicado em casos onde é necessária a desobstrução das vias respiratórias (como em pacientes com tumor na laringe, após cirurgias extensas na boca e garganta, após muitos dias com um tubo na traqueia na UTI, após traumas na face muito violentos com fraturas múltiplas etc), após parada respiratória ou cardíaca e insuficiência respiratória grave. A traqueostomia pode ser permanente ou temporária, dependendo de cada caso.

É comum que pacientes e familiares fiquem em dúvida quando o médico indica a necessidade de se realizar a traqueostomia. O procedimento é necessário sempre que se precisa reverter uma obstrução das vias respiratórias e quando não é possível tratar por outros meios mais simples.


Além disso, a traqueostomia contribui na retirada de secreções que se alojam no pulmão, mantendo a ventilação mecânica por um longo período e substituindo a utilização de tubos que seriam inseridos dentro da traqueia. Com isso, possibilita maior segurança aos pacientes, protegendo-os de aspirações e engasgos. Uma das vantagens é que pode permanecer por um período longo.

Como é feita a traqueostomia?

A traqueostomia é um procedimento feito geralmente em um centro cirúrgico, sob anestesia geral, mas em algumas situações pode se fazer sob anestesia local. O cirurgião limpa a região onde será realizado o procedimento, faz um corte na traqueia para expor os anéis de cartilagem presentes nesta região, depois corta entre dois desses anéis e insere a cânula, de forma que a traqueia e o meio externo se comuniquem. Feito isso, são conectados os aparelhos de respiração artificial na ponta da cânula, que possui uma borda para evitar que ocorram vazamentos.

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Por quanto tempo é necessário?

A traqueostomia pode ser definitiva (quando o paciente necessita de ventilação permanente) ou temporária, ou seja, ela pode ser revertida. Tudo depende de sua durabilidade, das condições da pele que está em torno da incisão (corte) e das condições físicas da pessoa. Assim que o paciente retorna a respirar normalmente e saudavelmente, a cânula é retirada.

Quando a traqueostomia não é mais necessária é feita a decanulação, que consiste em trocar as cânulas por uma menor, sucessivas vezes, até que o paciente consiga ficar sem nenhum tubo e o orifício onde foi feito o corte feche normalmente. O tempo de recuperação desta retirada pode levar de 5 a 30 dias e a fala se normaliza dias após a retirada da cânula.

No caso de que haja alguma dificuldade ao se retirar a cânula, como, por exemplo, obstrução da via respiratória acima da traqueia, deslocamento da parede da traqueia, edema na mucosa, intolerância ao aumento do ar, entre outras, a traqueostomia deve ser mantida até que o problema se solucione ou, em alguns casos raros, se tornar definitiva.

Quais são os riscos da traqueostomia?

Como qualquer cirurgia, a traqueostomia apresenta riscos. Algumas vezes, em pacientes cuja saúde está muito debilitada ou em casos que é necessário que o procedimento seja feito com urgência, podem ocorrer alguns incidentes como, por exemplo, sangramentos, obstrução da cânula por alguma secreção, infecção, lesão do esôfago, fístulas, edema na região, problemas ao deglutir alimentos ou na cicatrização.

Cuidados após a traqueostomia

Como todo procedimento cirúrgico, a traqueostomia exige alguns cuidados especiais, que podem ser realizados pelo paciente ou por seu cuidador. Dentre eles, a aspiração do tubo para que fique livre de secreções e afasta possíveis infecções. Por isso, são necessários cuidados como:

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  • Lavar sempre as mãos e embaixo das unhas antes e depois de realizar a manutenção da traqueostomia
  • Secar as mãos com um pano limpo ou papel-toalha, ou ainda usando álcool e deixar secá-las naturalmente
  • Aplicar corretamente o soro dentro da cânula ou nebulizações, para, assim, o paciente expulsar as secreções, evitando que se bloqueie a passagem de ar
  • Após remover o cateter da cânula, sempre lavá-lo com água limpa para retirar secreções que podem estar acumuladas
  • Trocar os curativos que ficam ao redor da traqueostomia pelo menos 2 vezes por dia
  • No caso de o paciente necessitar passar muito tempo fora de casa, tampar o tubo para evitar que sujeiras ou secreções obstruem-no
  • Evitar nadar durante a traqueostomia, pois, caso entre água no tubo, pode provocar engasgos, infecções bacterianas ou morte por engasgamento. O mesmo serve para quando for tomar banho.
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